01, 02... PG1, PG2...

26/08/2020

Não quero te falar de progressões aritméticas e geométricas. Se uma pessoa chama seus filhos de 01 e 02, nada mais coerente do que chamar seus assessores de PG1, PG2. E por aí vai. 

Acima, a foto do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, chamado por Jair Bolsonaro de PG2. 

O fato é que o surgimento de ruídos no que diz respeito a questões orçamentárias não é uma exclusividade brasileira. No Japão, Shinzo Abe está sendo "fritado" e afastado, embora a narrativa prevalente esteja associada a razões médicas.

O embate em torno de questões orçamentárias envolvendo a eliminação do abono salarial é mais um teste para avaliarmos a capacidade de adaptação de Paulo Guedes a nova postura populista de Jair Bolsonaro. Não sei se o adjetivo "novo", relacionado aqui ao populismo, é apropriado quando pensamos na longa carreira política do presidente. De qualquer forma, o assunto é tão sério que o TCU já está se envolvendo para estabelecer limites quanto ao uso do Orçamento de Guerra para outros fins que não sejam associados a pandemia.

Esse ruído orçamentário, em conjunto com um crescente volume de ofertas de ações anunciada pela mídia, contribuem para que entremos em setembro de forma mais desconfiada.

Não devemos ignorar também que a batalha presidencial americana está esquentando e que os investidores brasileiros, em breve, poderão optar por investir em ações americanas listadas no Brasil através de recibos (BDRs).



Por um outro lado, há uma especulação que Jerome Powel fará um discurso amanhã sinalizando que manterá a taxa de juros de curto de prazo ("fed funds") a zero por um prazo mínimo de 5 anos! Caso isso ocorra, fica a dúvida a respeito de como será a reação do mercado quanto a parte mais longa da curva. Será que teremos um "bear steepening" (inclinação da curva")?

Na imagem acima, Esther George, membro do comitê de política monetária do FED, está preocupada com a possibilidade de uma recessão em 2021.

Provavelmente não! Isto porque o FED, como comprador de última instância, poderá atuar também na parte longa da curva, comprando títulos de 10 anos e, assim, impedindo que a curva de juros se incline de forma significativa.

Mas, e aí? Algo tem que ceder!

A provável resposta talvez esteja no dólar. E se o dólar perder valor, teremos mais um capítulo neste longo processo chamado de "latinização dos EUA".

Marink Martins