A curiosa relação entre os preços do ouro e da moeda chinesa

21/09/2018

Há uma interessante narrativa que busca descrever a razão para a presente estabilidade entre os dois preços. Segue:

Na medida em que os preços do petróleo e do carvão deixam de ser forçosamente denominados em dólar e passam a ser negociados também em moedas como o iuane, cai a demanda por reservas denominadas em dólares.

Tudo isso é um processo que caminha lentamente e conta com a ajuda de transgressores como a Rússia, o Irã e a Venezuela.

Tudo indica que tais países não se importariam em receber em iuanes uma vez que haja uma conversibilidade entre a moeda chinesa e o ouro.

Ao pensar nisso, não chega a ser surpreendente a estabilidade na relação entre os preços mencionados conforme ilustrado no gráfico abaixo. Dizem que sempre que o preço do ouro cai a um determinado patamar medido em iuane, surge uma oferta de compra que dá sustentabilidade ao preço do metal.

Na medida em que a moeda chinesa começar a ganhar tração no comércio global, será uma questão de tempo para que países asiáticos passem a diversificar suas reservas e, nesse processo, passem a investir também em títulos chineses de 10 anos.

Afinal, como você pode observar através da tabela abaixo, foi-se o tempo em que os principais países asiáticos tinham os EUA como principal destino de suas exportações.

Observe o caso da Coreia do Sul, um dos mais importantes países na cadeia de suprimentos global. Em 2005, a China passou a ser o principal destino de suas exportações. Hoje, os coreanos exportam para a China um volume que é 2,5x o volume exportado para os EUA.

Bem, o grupo que assessora Trump no que diz respeito a assuntos de segurança nacional (capitaneado por Peter Navarro) sabe muito bem disso. Por tudo isso, a guerra comercial iniciada este ano será uma guerra longa, uma guerra de exaustão ("war of attrition") com consequências que ficarão mais evidentes ao longo do ano de 2019. Prepare-se!

Marink Martins