A insidiosa volatilidade

17/07/2019

Ontem foi vencimento de opções no Brasil. Para observadores distantes, tudo se passou como um "non-event", com os mercados exibindo uma calmaria condizente com um período marcado por recesso em Brasília e férias no hemisfério norte. Já para alguns participantes mais ativos, o colapso na volatilidade implícita associada aos contratos de opções de Petrobras para o mês de agosto pode ter provocado alguns danos.

Para quem não sabe, a volatilidade é o principal input na precificação das opções. Quando a volatilidade praticada pelo mercado cai, o preço das opções também cai, e vice-versa. Nos últimos dias a volatilidade despencou de 30% - um patamar já considerado baixo por alguns investidores - para um patamar de 23%. Assim, as operações conhecidas como "spread calendário" sofreram bastante nos últimos dias e poderão continuar sofrendo nos dias que estão por vir.

Embora sejam raros, já convivi no passado com períodos em que a volatilidade das opções de Petrobras rondava em torno de 22%. Isso ocorreu justamente durante o mês de julho de 2011, um período em que o Ibovespa enfrentava dificuldades em registrar novas máximas.

Ocorre que, em períodos em que há uma percepção de topo nos mercados, investidores ansiosos passam a olhar para o mercado de opções como uma importante fonte de recursos através da geração de prêmios oriundos de operações como venda coberta de CALLs e de PUTs. Esse movimento certamente contribui para o achatamento dos prêmios; ou, de forma mais técnica, para redução da volatilidade implícita nos mercados.

Se este for o caso, devemos nos preparar para um período de uma maior calmaria até que um evento surpreendente ocorra e promova uma usual "limpeza" no mercado de opções.

Em 2011 tal evento catalisador foi o "downgrade" da classificação de risco da dívida americana. Os mercados despencaram e, por aqui, a volatilidade implícita das opções de Petrobras subiu de 22% para 45% em um período de duas semanas. O preço do ativo base (PETR4) caiu de R$24 para R$18, mas não demorou muito para se recuperar.

Os que estavam alavancados, vendidos na insidiosa volatilidade de 22%, sofreram! Já os mais pacientes -- aqueles que sabem desfrutar a vida e tirar férias de vez em quando - aproveitaram o momento para estruturar operações em patamares certamente mais convidativos.

Mark Twain disse que a história, embora não se repita, tende a rimar. Bem, quando o assunto é o mercado de opções, diria que é quase uma busca pela batida perfeita. Sendo assim, o momento é propício para uma pausa, ou a implementação de uma estratégia alinhada com as condições atuais de mercado.

Marink Martins