Aniversário de 10 anos da Apple Store

03/08/2018

Escrito por Mariana Ratão


Neste Julho a App Store completou 10 anos. Em 2008 não éramos "mobile"!

A App Store foi embrionada no conceito da iTunes Store, espaço virtual do iPod. O iPod - o produto mais arriscado da Apple - comercializado pela primeira vez em 2001, revolucionou a maneira como a música era utilizada por nós. Presos aos CDs e bibliotecas organizadas manualmente no computador, estávamos livres da imobilidade: a música poderia ser comprada em apenas um clique.

Ok, havia o walkman...e o discman... Mas perto do iPod - que suportava 1000 músicas em um aparelho - viraram peso morto.

Do mesmo modo a tecnologia disruptiva do iPhone transformou o segmento e destronou a Nokia no mercado de telefonia em 2008. O branding de Steve Jobs tornou o smartphone desejável e exclusivo. A App Store contava com funcionalidades móveis restritas aos usuários Apple, circunstância que mudou lentamente após o surgimento dos utilitários para sistemas operacionais Android.

No início da era dos apps se explorava ao máximo a possibilidade do uso do touchscreen. Mesmo que não aceitasse aplicações em Adobe Flash, a categoria "mais rentáveis" era dominada por... jogos! O "pinch" - zoom da tela com dois dedos - habilitava o iPhone a ser um videogame portátil.

Mas o Orkut, a principal rede social até então, era nativa do habitat desktop. Mark Zuckerberg abateu o Orkut conectando os jogos aos amigos.


Quem se lembra de migrar de rede social com o "Farmville", o jogo que atraiu milhões para o Facebook?

A exuberância dos primeiros apps deu lugar aos players de música - Pandora Radio, Shazam, AOL Radio, Lastfm; e redes sociais - MySpace, AIM, Loopt, Earthscape.

Mídias sociais que são desconhecidas hoje, BeejiveIM e MobileChat eram os mais rentáveis na categoria pagos. O Twitter e Facebook são os grandes sobreviventes dos primórdios da Apple Store; o Youtube, comprado pela Google em 2006, conseguiu permanecer no rol dos mais acessados.

Em um hardware diferente, os novos aplicativos eram adaptações do que possuíamos no computador. As empresas de software - principalmente a Google - aos poucos se adaptaram à ideia do que seriam serviços verdadeiramente "móveis". Muito do que usamos atualmente em nossos smartphones estão longe do que existe somente na tela do computador - Instagram, Snapchat, WhatsApp, Tinder. Os serviços de streaming Youtube e Spotify - se transformaram em redes sociais.

A App Store e seu maior concorrente, a Play Store, fazem da criação mobile um setor à parte no desenvolvimento web. Waze e Uber não fariam sentido nos anos 90, a era do computador pessoal. Estas tecnologias de vanguarda se criam ao redor da ideia de que o dispositivo se encontra sempre em movimento - o gadget smartwatch é a evolução do relógio de pulso integrado ao celular.

Mais do que uma maneira de acessar a internet, o que utilizamos hoje molda o nosso diário - os apps se tornaram pedaço indispensável de nossa vida interior. Tudo passa por eles. O tom em 2018 quanto ao controle da informação é de preocupação, visto o recente debate sobre a possível interferência externa nas eleições americanas de 2016. O escândalo envolvendo o vazamento de dados do Facebook para a Cambridge Analytica e a censura em paǵinas ditas "fake news" na plataforma angariaram multas para as mídias sociais.

Retomando ao tempo em que o epicentro de nossas vidas não era o smartphone, as desenvolvedoras de software trazem ao mercado ferramentas para quem gosta... ou precisa... se desprender do hábito "scrolling".

As iniciativas Google Wellbeing e Apple's Screen Time - gerenciadores de tempo - chegarão aos consumidores neste ano, facilitando para o usuário o bloqueio de notificações indesejadas e controle do conteúdo visualizado. O Wellbeing consegue travar aplicativos, enquanto o Screen Time facilita a vida dos pais com um melhor controle parental no dispositivo.

Quem nunca viu os famosos "Disponível na App Store" e "Disponível na Play Store"? São onipresentes - mudaram nossa forma de pensar, como andamos, nos comunicamos, pedimos comida, usamos serviços bancários... e até como contamos histórias e amamos.

Em 2018, as orientais Samsung, Xiaomi e Huawei possuem juntas o dobro do market share mobile da Apple - mas nenhuma delas jamais estaria aqui sem Steve Jobs ter subido ao palco da Macworld naquele 9 de Janeiro de 2007.



Em um determinado evento realizado este ano, o financista André Jakurski, fundador da gestora JGP, nos inspirou ao afirmar que não são os ativos globais que se apreciam, mas sim as moedas que, de fato, perdem valor.

Como você sabe, venho dedicando grande parte do meu tempo em um projeto junto a Inversa Publicações chamado 2020 - O Ano da Turbulência. No quinto episódio desta série de podcasts exploro a possibilidade de um novo Acordo de Plaza onde a moeda americana se desvalorizaria diante da moeda chinesa.