Batalha Comercial: EUA 2 x 0 China

06/08/2018

O jogo está 2x0 para os americanos, mas este está somente no começo. Em uma eventual guerra de exaustão ("war of attrition"), os chineses tendem a levar a melhor.

Não há dúvida de que o "momentum" está a favor dos americanos nesta batalha que se iniciou em março deste ano com tarifas sobre a importação de aço e alumínio nos EUA. De lá para cá, o governo Trump vem aumentando a pressão sobre os chineses na expectativa de que as forças do mercado que afetam a economia do gigante asiático farão com que Pequim fique sem saída e, eventualmente, ceda às suas pressões.

De fato, a economia chinesa já mostra sinais de abalo da campanha comercial norte-americana. Sua moeda já se desvalorizou aproximadamente 8% desde o início das medidas protecionistas dos EUA. Os principais índices bursáteis vem registrando quedas consecutivas. Na semana passada, buscando frear a saída de recursos do país, o governo chinês impôs uma espécie de depósito compulsório de 20% sobre operações a termo no mercado de câmbio. Além disso, o governo chinês anunciou políticas monetária e fiscal mais frouxas com um claro objetivo de estabilizar o comércio, o mercado de trabalho e o fluxo de investimentos estrangeiros.

No que diz respeito ao toma-lá-dá-cá imposto pelos americanos, os chineses estão na desvantagem devido ao fato de importarem bem menos dos EUA do que vice-versa.

Mas, quais seriam as verdadeiras motivações norte-americanas para este conflito?

De acordo com os especialistas da Gavekal Research, tal conflito sempre esteve além da questão relacionada ao déficit comercial norte-americano. Acredita-se que a verdadeira intenção norte-americana seja de cunho ideológico, buscando frear e possivelmente reverter as políticas industriais chineses nas quais se apropriam da inteligência de multinacionais sediadas no país.

Por isso mesmo, a equipe da Gavekal acredita que esta guerra esteja somente em seu início. Eles argumentam que embora os chineses estejam em desvantagem neste toma-lá-dá-cá, eles tendem a levar vantagem em uma eventual guerra de exaustão ("war of attrition").

Marink Martins


Em um mundo cuja taxa de crescimento econômico está em ritmo de desaceleração, há uma busca alucinada por ativos que exibam crescimento em termos de lucratividade; mesmo que este seja somente em potencial.

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