Como fica a Europa diante da invasão russa?

24/02/2022

A ideia aqui é compartilhar alguns dados para que possamos ter uma dimensão dos impactos que a invasão russa poderá provocar na atividade econômica europeia.

  • A Rússia já vinha restringindo o volume de gás fornecido à região. Tal volume estava 1/3 mais baixo dos que os níveis registrados em 2019. Há o risco de que a Rússia não só irá reduzir ainda mais o volume de gás, mas também restringir as vendas de petróleo bruto.
  • Analistas da Gavekal apontam que o objetivo russo é fazer com que o ocidente aceite a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia, de forma que a Ucrânia passe a ser vista como um "client state" sob o comando e influência de Moscou.
  • Neste período de tensão, a Europa dobrou suas importações de gás natural liquefeito e vem consumindo seu estoque. O volume em estoque é equivalente a 6 semanas de consumo. Ainda que a Europa possa importar maiores volumes, há restrições logísticas associadas à capacidade dos terminais.
  • Diante das limitações, os europeus deverão promover um racionamento do consumo, reduzindo o consumo industrial, justamente para que não falte gás para as residências e outras atividades essenciais.
  • O fornecimento de energia elétrica também deverá sofrer. Como um todo, a Europa gera 20% de sua eletricidade através do uso do gás natural. No entanto, este dado varia de acordo com cada país. A Itália está mais vulnerável, dependendo bem mais do gás natural do que outros países.
  • A Alemanha gera 15% de sua energia elétrica através do uso do gás natural. Não há ociosidade quanto ao uso de energia nuclear na Alemanha. As 3 usinas em operação já estão fazendo uso da capacidade total.
  • Diante das restrições acima, resta à Alemanha o uso do carvão e do petróleo. Nestes casos, o problema maior é o preço.

A Rússia é responsável por 10% da produção global de petróleo e, nos últimos meses, vem exportando 5 milhões de barris/dia, ou aproximadamente 5% da demanda global. Especula-se que restrições neste fluxo possam levar o preço da commodity para um patamar entre 125 e 150 dólares/barril. No que tange às expectativas de crescimento econômico europeu, as últimas notícias não são nada favoráveis.

Marink Martins


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