O efeito TGA nos mercados

Antes de explorar os argumentos mais otimistas que vem impulsionando os mercados, deixo claro aqui que boa parte do conservadorismo que expresso em meus textos tem a ver com a minha expectativa de que o atual ciclo expansionista tem o potencial em culminar em uma tremenda compressão de múltiplos de P/L, nos moldes daquele visto no Brasil durante o período inflacionário de 2014 a 2016.

Dito isso, o fato é que os mercados globais não param de se valorizar. É possível que esse movimento continue nas próximas semanas caso o governo Biden consiga emplacar seu pacote de 1,9 trilhão de dólares.

Correlacionado a este evento está uma expectativa do mercado de que o tesouro nacional dos EUA venha a injetar, de forma rápida, os seus recursos de 1,6 trilhão de dólares depositados em sua conta TGA ("Treasury General Account") no FED.

Historicamente, o Tesouro dos EUA mantém um saldo nesta conta de aproximadamente 250 bilhões de dólares. Contudo, o receio provocado pela pandemia fez com que o tesouro captasse o volume avassalador de recursos nos meses subsequentes ao "lockdown".

Caso esses recursos sejam, de fato, injetados na economia, especula-se que ela provocará um superaquecimento, suscitando receios de que a chegada da inflação é uma questão de tempo.

Tudo isso ocorre em meio a uma "farra" dos mercados digna do ocorrido em 1999. Acertar o timing de uma eventual reversão é certamente uma tarefa ingrata. O melhor é buscar ser tático e não se colocar em posições tão vulneráveis a uma eventual correção abrupta nos mercados.

Nesta última sexta-feira, aquele que negociava ações da Petrobras pode ver quão rápido pode cair um papel em meio a notícias adversas. Em um intervalo de 30 minutos, as ações da Petrobras PN despencaram de 29,70 para 28,20 diante de notícias de que a empresa estaria alterando seu cálculo na precificação de combustíveis. A notícia foi desmentida pela empresa e o preço das ações se recuperou.

Todavia, creio que cresce o ceticismo do mercado quanto a capacidade da Petrobras de evitar interferências políticas caso o preço do petróleo continue subindo de forma expressiva.

Ademais, não tenho dúvidas de que vivemos um momento peculiar nos mercados. A queda vista no VIX durante a semana passada nos mostra que este indicador não mais representa uma medida de medo, mas sim de ganância. O VIX hoje não é mais um instrumento de proteção, mas sim de especulação; algo análogo ao que foi visto nos CDSs durante os anos ao redor da crise do subprime.

Finalizo, lembrando que Biden falou em "UNITY", mas, já na semana passada, o "poder de desempate" de sua vice-presidente, Kamela Harris, foi colocado em prática no senado americano. As próximas semanas prometem muitas emoções. Olhe o carnaVOL aí!

Marink Martins

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