Cuidado com a abertura dos mercados! Podemos estar diante de um jogo de "Wack-a-Mole" (mate as toupeiras)!

08/10/2018

Prever a abertura de um mercado após uma eleição disputada é certamente uma tarefa ingrata. Mesmo assim, prefiro não me esquivar e tentar ajudar o assinante MyVOL a transitar com mais segurança neste dia que promete ser tenso, de elevada volatilidade.

Penso que, caso o IBOV venha a abrir em alta devido ao otimismo com a performance de Jair Bolsonaro nesta corrida final de primeiro turno, o mercado deverá ficar suscetível a uma forte reversão de tendência. Aqui, faço um paralelo com o jogo infantil "Wack-a-Mole", onde assim que as toupeiras sobem, levam imediatamente uma marretada na cabeça daqueles engajados com o jogo.

Posso estar completamente errado, mas corro o risco aqui com a intenção de compartilhar com você a minha visão de mercado. O comentário sobre a parte internacional é algo que já venho explorando a algumas semanas e que já vem dando frutos. Falamos de uma elevação na volatilidade implícita do S&P 500 (o VIX); o que, de fato, ocorreu na quinta-feira passada!

As razões que me levam a desconfiar de uma eventual alta expressiva da bolsa são as seguintes:

As apostas já na mesa

Observo através dos contratos de opção de compra de PETR4 e BBAS3, um forte desequilíbrio entre titulares/compradores. No caso da BBASK372, cujo preço de exercício é de 36,91, há 2.174 titulares para 151 lançadores. Você pode exclamar: mas isso não é novidade e o mercado já vem subindo! Sim, mas chegamos em um ponto de reavaliação!

Na Petrobras não é muito diferente. Ao checar os contratos que estão fora-do-dinheiro na série J (outubro) vejo 9.010 titulares para 3.067 lançadores. Já na série K (novembro), no total de contratos em aberto há o dobro de titulares em comparação ao número de lançadores.

Não podemos negar que muitos participantes apostaram em uma possível "assimetria convexa" (de forma simples: uma porrada para cima nos mercados) em caso de uma vitória de Bolsonaro já no primeiro turno. Chegou perto, mas não se concretizou. Agora começa um novo jogo; mais complexo!

O apoio de Ciro Gomes a Haddad no segundo turno

Ciro já manifestou seu apoio a Fernando Haddad para o segundo turno. Embora com menos ímpeto que Bolsonaro, Ciro também exibiu "momentum" positivo na arrancada final deste primeiro turno. Seu apoio lança um alto grau de incerteza para o segundo turno, podendo fazer com que muitos investidores optem por encerrar posições que já acumulam um lucro razoável.

Fazer conta para o segundo turno com base no resultado do que foi observado no primeiro turno pode provar-se perigoso. O segundo turno envolve uma outra dinâmica.

A reabertura do mercado de ações na China e as incertezas diante do aumento das taxas de juros norte americanas

Neste momento em que escrevo (domingo, as 23:30) as ações chinesas caem aproximadamente 2,50%. Por lá, seu banco central, o PBoC, reduziu o compulsório dos bancos, em mais uma tentativa de anular os impactos da guerra comercial com os EUA. Com isso, o iuane se desvalorizou um pouco. Lembrem que Louis-Vincent Gave, fundador da Gavekal, diz que os mercados emergentes estão muito atrelados ao que ocorre na China.

Além disso, amanhã é Columbus Day nos EUA. As bolsas abrem, mas o mercado de renda fixa fica fechado. As bolsas no Japão também estão fechadas.

Aquecem as campanhas para o "mid-term" nos EUA

Não podemos esquecer que há uma eleição nos EUA no dia 6/11. Como os próprios republicanos vem atrelando o sucesso do governo Trump ao mercado de ações, não seria patológico pensar que pode haver uma maior pressão sobre os mercados vindo de detentores de ações que estejam insatisfeitos com Trump. (leia-se aqui, os chineses).

Por tudo isso, sou da opinião que aqueles que já estão comprados devem aproveitar qualquer alta para realizar seus lucros. Os que não estão comprados devem esperar por uma oportunidade mais interessante que deverá aparecer em breve.

Marink Martins