De volta a planilha de "valuation"

18/11/2021

No mais recente MYCAP TENDÊNCIAS GLOBAIS, voltei a discutir o tema "valuation". E não é para menos. Com o Ibovespa parecendo estar à deriva, muitos investidores se questionam se o preço de um determinado ativo está ou não uma pechincha.

Abordo este tema mais uma vez com um objetivo muito claro: fazer com que o leitor não caia na "cilada" da "reversão a média"; isto é, achar que um ativo está barato simplesmente pelo fato de seu preço ter caído demais.

Por isso, compartilho novamente a minha planilha de "valuation" de dois estágios que é um ótimo ponto de partida para discutir o tema.

A chamo de um ponto de partida, pois avaliar um ativo é certamente algo bem mais complexo do que inserir alguns dados em uma planilha simples como esta disponibilizada aqui para você (https://www.myvol.com.br/l/planilha-de-valuation-modelo-h/).

Dito isso, o que busco te chamar atenção neste momento é que o "input" 3.2 na planilha acima (RETORNO EXIGIDO PELO INVESTIDOR) subiu demais devido ao fato de que o custo de capital disparou em meio a crise política vivida pelo país. Ao mesmo tempo, a taxa de crescimento na lucratividade das empresas -- tanto de curto prazo como a de longo prazo -- estão mais vulneráveis devido ao perigo macroeconômico de um aumento expressivo no endividamento do país. Assim, como o leitor pode notar, o "valuation" das empresas foi duplamente afetado neste momento conturbado.

Avaliar uma empresa é, de certa forma, um exercício de imaginação. E, neste momento, podemos imaginar um Brasil que irá crescer menos, com um custo de capital elevado. Em suma, uma combinação nefasta no processo de avaliação das empresas.

Agora, se considerarmos aplicar esta situação nebulosa para empresas que vinham sendo tratadas como ativos de "longa duração" (aquelas cujos fluxos de caixa projetado estavam mais distantes -- aquelas narrativas transformacionais associadas ao varejo digital e outras empresas ditas de tecnologia), podemos facilmente compreender que ao inserir uma exigência de retorno do investidor mais elevada (acima de 15%), poucos ativos se apresentam como convidativos neste momento. Por isso, te convido a explorar cenários e, a partir daí, decidir se estás realmente interessado em ser um sócio de longo prazo de uma determinada empresa. Além disso, não deixe de conferir o MYCAP TENDÊNCIAS GLOBAIS #170 em que abordo este tema.

Marink Martins


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