Deixe-me te falar da minha regra de bolso

28/09/2020

As regras de bolso são formas simplificadas de encarar um problema e podem nos ajudar a tomar decisões de forma mais rápida. O usuário, contudo, deve implementá-la ciente de suas limitações e de sua efemeridade.

Nas últimas semanas venho alertando aos leitores a se manterem céticos com relação a qualquer repique nos índices de bolsa nos EUA enquanto a volatilidade implícita associada aos contratos de opções da Apple se mantiver acima de 50%. Esse tem sido, não só um indicador que venho acompanhando de perto, mas também um tema dominante em minha escrita e vídeos ao longo de mais de um mês.

Nos últimos dias, incluí um outro indicador para compor esta regra de bolso. Refiro-me ao preço da ação do banco JP Morgan.

Assim, venho afirmando que precisamos ver, não só o VOL da Apple abaixo de 50%, mas também o preço das ações do JP Morgan acima de US$95,00!

Todos já sabem que a Apple é a maior empresa do mundo. O fato de que seus derivativos embutem um VOL acima de 50%, enquanto derivativos da Petrobras embutem um VOL de 39% é, para mim, quase uma aberração.

Já quanto ao JP Morgan, este simboliza o que há de melhor no setor bancário global. Em um mercado onde o setor de tecnologia parece já ter atingido o seu ápice em termos de participação no índice S&P 500, considero que seja necessária uma melhor performance do setor bancário para que os mercados voltem a subir de forma consistente.

Curiosamente, temos nesta manhã uma combinação convidativa. A ação do JP Morgan se recuperou no pré-market para níveis próximos a 95, embalada pela valorização das ações dos bancos europeus.

Da mesma forma, as ações da Apple se valorizam de forma expressiva no pré-market desta segunda-feira, superando o patamar de US$115,00; algo que deve contribuir para que a VOL Implícita de seus contratos derivativos caia para baixo de 50%.

Conforme mencionei inicialmente, regras de bolso são simplificações efêmeras. Sendo assim, use-as como referência.

Finalizo este texto te chamando atenção para a nomeação de Amy Coney Barrett para a suprema corte americana. Trata-se de um assunto que traz consigo riscos de ruptura social nos EUA. Este é um assunto que pretendo endereçar no vídeo MYCAP Tendências Globais desta semana.

Marink Martins