Quem te viu, quem te vê

13/08/2020

O Brasil da segunda metade dos anos 90 era, certamente, mais promissor. Vivíamos o início do Plano Real, com reservas internacionais superiores a 50 bilhões de dólares, que eram quase 4x maiores do que o dinheiro em circulação. Assim, não só tínhamos um câmbio estável, próximo à paridade com o dólar americano, mas, também, tínhamos um futuro promissor com privatizações e a abertura da economia. Tudo isso, sem falar que havíamos retomado à nossa hegemonia futebolística.

Como uma vez disse Roberto Campos: "o Brasil não corre o menor risco de dar certo!". Se os investidores estrangeiros soubessem disso, provavelmente não teriam embarcado em ativos brasileiros naquela ocasião, nem levado o país a ocupar a posição de liderança, com a maior participação na Carteira MSCI Mercados Emergentes.

Como podemos ver no gráfico abaixo, iniciamos a jornada da globalização como o principal expoente entre os emergentes. Em seguida, descemos a ladeira.

Todavia, não devemos esquecer que sucesso é um conceito relativo. Boa parte do nosso declínio, diz respeito aos avanços conquistados por países Asiáticos. Hoje, a China, a Coreia do Sul e Taiwan, representam mais de 60% da Carteira MSCI Mercados Emergentes. 

O continente Asiático - como um todo - já se aproxima da marca de 80%, como podemos ver no gráfico abaixo:

Retornando às famosas frases do avô do nosso presidente do Banco Central: "o Brasil nunca perde uma oportunidade de perder oportunidades!". Não podemos, de forma alguma, reclamar do azar. A tal debandada, da equipe econômica de Guedes, é a ilustração deste processo de desperdício de oportunidades.

Finalizo com um trecho da música que escolhi como título deste comentário:

"Quem não a conhece não pode mais ver pra crer, quem jamais a esquece, não pode reconhecer."

E, sem saber, ignoramos que já fomos rebaixados para a Série B.

Marink Martins