Tempos modernos nos mercados

16/02/2018

A qualquer momento, há sempre a presença daqueles que preveem um colapso nos mercados. Hoje não é diferente! Marc Faber, Bill Gross, Mark Spitznagel e muitos outros, estão nesta ponta. E o pior: um dia estarão certos! Por isso, previsões devem ser sempre encaradas com um grão de sal, mesmo que esta venha de um "guru" celebrado pela mídia. Dito isso, vivemos um momento de uma "briga" não tão aparente nos mercados americanos, marcada por um movimento de rotação em que uma parte do mercado sai de ações ligadas ao setor de tecnologia em direção a uma maior diversificação setorial. Tudo isso ocorre em um mercado que, de acordo com dados do banco JP Morgan, é 10% dominado por meios tradicionais de investimento. Isto é, grande parte do mercado é dominado por algorítimos a serviço de gestores passivos e outras estratégias. Esta mudança de perfil na forma de atuar o mercado, vem levando a um comportamento um tanto "contra-intuitivo". Temos agora um mercado que opera com baixíssima volatilidade implícita, representada por níveis de VIX (medida de volatilidade do S&P 500) próximos a mínima histórica, em um momento digno de uma postura menos complacente. Por isso, advogo aqui que o VIX mascara uma realidade que é muito mais volátil do que a apresentada pela própria oscilação dos mercados. O mundo, de certa forma, viu um retrato desta situação que tento ilustrar através da magnitude do "gap" de abertura no futuro do Ibovespa na manhã do dia 18/5.

Não quero de forma alguma sinalizar aqui que espero que algo similar ocorra no índice S&P 500 nos próximos dias. Muito pelo contrário, continuo acreditando na resiliência das empresas americanas, no efeito "the winner takes all" (o vencedor leva tudo!), e de que o mercado está em uma "pernada" de alta de fim de ciclo, que tende a ser mais longa. Mesmo assim, devemos estar cientes de que o mercado, nestes "tempos modernos", deverá estar sujeito a maiores "gaps" de abertura. Com o advento dos ETFs, o percentual de investimento passivo nos mercados cresceu de forma significativa. Isto trouxe diversificação, simplicidade, e baixo custo para os investidores. Mas trouxe também, um risco de liquidez que, combinado com a maneira automatizada de se operar nos dias de hoje, poderá provocar movimentos ainda não vistos pelos mercados. Por esta razão, sugiro a investidores que simulem oscilações bruscas em suas carteiras e avaliem sua tolerância para um período que poderá ser mais turbulento.

Marink Martins