A bolsa virou pilar psicológico da economia americana

Nos EUA, a ideia de que ações são um porto seguro no longo prazo está profundamente enraizada — quase institucionalizada. A bolsa não é apenas um mercado; é parte do contrato social. Planos de aposentadoria, poupança das famílias, confiança do consumidor — tudo orbita o desempenho do S&P 500.
Mudar essa dinâmica de forma abrupta seria perverso. Um crash profundo não destruiria apenas riqueza financeira — abalaria a confiança estrutural do consumidor americano.
Por isso, mesmo com ativos caros e amplamente distribuídos na sociedade ("widely held"), a preservação do nominal ganha centralidade. Não por acaso insisto: o nominal não é banal.
Quando figuras como Scott Bessent enfatizam repetidamente o crescimento do PIB nominal, a mensagem é clara: tornar a inflação digerível pode ser parte do ajuste . Crescimento nominal robusto sustenta receitas, lucros e, consequentemente, preços de ativos — mesmo que o crescimento real seja mais modesto.
Em economia, quando se engessa uma variável — por exemplo, evitar a todo custo uma contração nominal — as demais se ajustam com vigor. Se o crash não pode acontecer, a inflação pode ser o amortecedor.
A pergunta deixa de ser se os ativos estão caros.
Passa a ser: qual variável o sistema está disposto a sacrificar para evitar o impensável?
MyVOL / Marink
