No início de 2021 a bolsa de valores local estava em festa com empresas como Magazine Luiza, Rede D´Or e B3 registrando uma capitalização de mercado superior a 100 bilhões de reais. Ainda que houvesse um claro desconforto com o "valuation" destas empresas, poucos tinham coragem de sugerir a venda destes ativos. Após uma década em que o mundo dos...

Para grande parte da comunidade investidora brasileira, todas as mazelas que afligem a nossa bolsa são oriundas de incertezas fiscais. Ainda que não haja dúvida a respeito de nossa fragilidade fiscal, há outros fatores globais que vem contribuindo para um certo desdém em relação aos ativos brasileiros.

A expressão "The Winner Takes It All" (O Vencedor Leva Tudo!) é velha. Foi título de um dos maiores sucessos da banda sueca ABBA em seu álbum de 1980. Já no mercado de ações foi ganhando tração na medida em que foram surgindo "platform companies" como America Online (anos 90), Yahoo, Amazon Web Services, Google, Facebook, LinkedIn (Microsoft),...

Administrar um ciclo de queda nos preços das ações nunca é fácil. Agora, fazer isso durante um período em que boa parte do mundo vive um período de festa é bem mais difícil. Nos últimos dias, enquanto o índice S&P 500 registrou uma série de recordes de alta, por aqui registramos uma tremenda agonia.

Não há dúvida de que o tema "AI -- inteligência artificial" -- é o mais dominante do momento e principal razão para um mercado altista que não para registrar uma máxima atrás da outra. A imagem abaixo ilustra a performance das ações das 7 Magníficas (excluindo a TESLA) desde o mês de dezembro de 2023:

No começo da década passada, o mercado de ações norte-americano e adjacências balançaram em meio a ameaças vindas da Grécia, do Chipre, dos PIIGS, da falência do banco belga Dexia, etc. Curiosamente, um evento marcante como a eleição no parlamento europeu neste fim de semana parece não abalar, de forma alguma, a confiança do investidor americano....

Há definitivamente um temor no mercado local que vem fazendo com que o custo do endividamento do governo brasileiro cresça a um ritmo superior ao que se vem observando em outros cantos do mundo. O diferencial ("spread") de taxa entre um título de 10 anos brasileiro em relação a taxa dos "treasuries" de 10 anos só faz subir. Identificar a...

Ninguém questiona que o momento atual é de excepcionalismo norte-americano. Na virada do mês, o número de passageiros transitando pelo aeroporto de Atlanta foi um recorde. Os americanos estão viajando para a Europa e outros destinos como nunca fizeram antes. Já no mercado de ações, a Nvidia surpreendeu e conquistou o lugar de segunda empresa mais...

Para boa parte dos investidores, o sentimento predominante é de que estamos caminhando para o sexto mês consecutivo de baixa no Ibovespa. Ainda que tal afirmação não seja tecnicamente verdadeira (durante o mês de fevereiro, o IBOV se valorizou em 0,99%, subindo 1.267 pontos), o sentimento é certamente de desânimo por parte da comunidade de...

Em um relatório publicado ontem pelo Morgan Stanley foi dito a seguinte frase: "April's data will unleash a wave of deflationary data" (Os dados de abril revelarão uma onda deflacionária).

Aqui no Brasil é comum atribuirmos todas as mazelas ao comportamento do governo. Não que eles não mereçam. Todavia, o meu trabalho aqui é buscar mostrar a influência de efeitos globais que muitas vezes passam despercebidos.

Ainda que a minha visão mais otimista para o IBOV permaneça inalterada em um horizonte de tempo mais longo, é inegável que a minha leitura de curto prazo se mostrou equivocada. Mais importante, quero neste texto te mostrar um gráfico ilustrando um "spread" (diferencial de taxa) que vem me iludindo nos últimos meses.

"FOCUSessivo"

27/05/2024

A última semana foi extremamente frustrante aos otimistas com o Ibovespa -- o IBOV caiu aproximadamente 4.000 pontos, se descolando totalmente do cenário global. Dentre as razões, uma das principais tem a ver com a comunicação do nosso banco central e a influência do Boletim FOCUS, que contém um resumo semanal das expectativas de mercado a respeito...

Em um passado distante, Alan Greenspan -- o mais longevo entre os presidentes do FED -- uma vez disse que uma queda de 10% no índice S&P 500 poderia ter um impacto direto no PIB dos EUA de aproximadamente -0,5%. Aquele que foi uma vez chamado de "Maestro" estava chamando atenção do mercado ao que é conhecido como "Wealth Effect",...