América do Sul no Spotlight

O ano de 2025 começou com as atenções voltadas para as questões ligadas à inteligência artificial, em especial após o advento do DeepSeek , que dominou o debate tecnológico e financeiro no início do ano.
Na sequência, tivemos o discurso de J.D. Vance em Munique, que trouxe uma mensagem direta e pouco diplomática aos europeus: "vocês que se virem" . Um sinal claro de mudança de postura estratégica por parte dos Estados Unidos.
Logo em seguida, a Europa foi forçada a olhar para si mesma. A eleição na Alemanha, que levou Friedrich Merz ao poder, simboliza esse ponto de inflexão. A decisão alemã de afrouxar a histórica camisa de força fiscal representa um dos pilares do que venho chamando de Despertar Econômico Europeu . Após anos ancorada quase exclusivamente na disciplina orçamentária e na demanda externa, a Europa começa a reconhecer a necessidade de estimular o consumo doméstico e o investimento interno. Trata-se de uma mudança estrutural — com ramificações que tendem a impactar não apenas o continente, mas a dinâmica da economia global ao longo dos próximos anos.
Em abril, o chamado "Liberation Day" de Trump ocupou o centro do palco. As atenções dos agentes de mercado retornaram a Nova Iorque e ao Vale do Silício, recolocando os Estados Unidos no foco das narrativas globais.
Não demorou muito para que China, Índia e Vietnã voltassem ao front geopolítico e econômico. Já no segundo semestre, o Asia Summit, realizado na Coreia do Sul, roubou a cena e acabou por chancelar o nascimento de uma nova era:
👉 a Era da Coexistência , com a China assumindo um papel de coprotagonista ao lado dos Estados Unidos.
Agora, 2026 traz a América do Sul para o centro do palco — ao menos por algum tempo. E tudo indica que a região terá mais do que seus tradicionais "15 minutos de fama".
O calendário político ajuda a explicar esse movimento:
* Março: eleições na Colômbia
* Abril: eleições no Peru
* Fim do ano: eleições no Brasil
Observa-se uma tendência clara de inclinação à direita, movimento que já está em curso em países como Argentina e Chile.
A invasão dos EUA à Venezuela chancela, de forma inequívoca, a estratégia traçada e anunciada pelo governo Trump por meio da National Security Strategy, publicada em novembro do ano passado.

Conceitos como Fortress America e a Doutrina Monroe deixaram de ser apenas ideias especulativas e passaram a representar diretrizes concretas e em execução.
É chegada, portanto, a hora da América do Sul.
Quando pensamos nesse novo protagonismo regional, alguns temas emergem imediatamente:
* Preços das commodities
As commodities metálicas seguem em forte alta, enquanto as agrícolas e energéticas chamam atenção pela defasagem de preços, abrindo espaço para realinhamentos relevantes.
* Inclinações políticas
O shift à direita é evidente e tende a redefinir prioridades econômicas, fiscais e institucionais na região.
* Investimentos em infraestrutura
O potencial é expressivo, especialmente em setores como energia, logística e saneamento — áreas historicamente subinvestidas.
* O cortejo dos EUA aos líderes sul-americanos
Em meio à reorganização da ordem global, os Estados Unidos intensificam sua aproximação estratégica com a região, tanto no campo diplomático quanto no econômico.
* A possibilidade de um upgrade no rating de crédito do Brasil
Crescem as expectativas de que a Moody's possa devolver ao Brasil o status de Investment Grade, recolocando o país no radar de investidores institucionais globais com mandatos mais restritivos.
* Maior peso da região no MSCI Mercados Emergentes
Há espaço para que a América do Sul amplie sua participação no índice MSCI Emerging Markets, potencialmente capturando parte do peso hoje alocado à Índia, à medida que fluxos globais buscam diversificação regional.
* Continuidade — e intensificação — do bull market em ações sul-americanas
O movimento iniciado em 2025 pode ganhar tração adicional em 2026, impulsionado por valuation relativo atrativo, melhora macroeconômica e maior atenção dos investidores globais.
A combinação desses vetores sugere que o atual momento da América do Sul pode ir além de um ciclo tático e assumir contornos estruturais dentro do portfólio global.
MyVOL / Marink Martins
