Black Mirror MyVOL

Já estou em 2028.
O hemisfério norte vive sob o peso silencioso da repressão financeira.
Nos Estados Unidos, a inflação orbita os 4%, enquanto a taxa nominal de juros se encontra em 2,5%.
No Japão, após décadas de exceção, a taxa básica finalmente alcança 2% — ainda assim, abaixo da inflação.
O Mighty Dollar ficou para trás.
O iuane, que chegou a 7,35 por dólar em 2025, finalmente rompe a barreira dos 5,80. Não foi um evento. Foi um processo.
No mundo das commodities, os metais subiram — como esperado.A surpresa veio das agrícolas, impulsionadas pelo apetite persistente do consumidor chinês.
O petróleo segue firme, acima de US$ 120 o barril, refletindo um novo equilíbrio geopolítico e energético.
E o Brasil?
O Brasil — potência agrícola e energética da América do Sul — agora opera com juro real positivo de 5%.
Ainda elevado. Mas muito abaixo dos 10% reais praticados em 2025.
É aqui que mora a ironia.
Em 2028, os ativos brasileiros já foram reprecificados. A moeda se fortaleceu. A bolsa já não é "barata". O prêmio de risco já não é obsceno.
A grande oportunidade não estava em 2028 .
Ela esteve em 2025, quando o mundo já caminhava para a repressão financeira, o iuane já se fortalecia…
e o Brasil ainda insistia em oferecer 10% de juro real.
Como sempre, o desconforto foi o sinal.
E a coragem, o filtro.
MyVOL / Marink
