Brasil: O "Trade" mais limpo entre os emergentes

12/04/2026

Caro leitor,

No dia 1º deste mês, o Zero Hedge publicou uma reportagem com o título: "Brazil Is Quietly Becoming the Cleanest EM Trade" — ou, em tradução livre, "O Brasil está, silenciosamente, se tornando a aposta mais interessante entre os mercados emergentes".

A matéria destacava o fluxo de investimentos direcionado ao país e sua resiliência energética. Ao ler essa reportagem, eu, que venho há mais de um ano transmitindo otimismo em relação aos ativos do Ibovespa, senti-me ainda mais encorajado.

E o pregão desta quarta-feira, com novo recorde de fechamento para a Bolsa brasileira, acabou servindo como reforço adicional de uma percepção que já vinha ganhando corpo no mercado: a de que o Brasil entrou, de fato, no radar global com mais força em 2026.

No início do ano, por volta de 15 de janeiro, a gestora Stephanie Link, da Hightower Advisors, apresentou na CNBC, durante o programa Half Time Report, uma ideia de trade bastante emblemática: compra de EWZ, ETF representativo da carteira MSCI Brazil, e venda de INDA, ETF representativo da carteira MSCI India.

Abaixo, temos o gráfico do EWZ "trucidando" INDA no acumulado de 2026.

Fonte: CNBC.


Coincidência ou não, foi justamente a partir dali que o rali de alta do Ibovespa se acelerou, deixando muitos investidores boquiabertos.

O fato é que, em 2026, o Brasil entrou na moda.

O EWZ voltou a ser mencionado na mídia internacional como não se via desde a época marcada pela urbanização da China e pelo superciclo das commodities. Naquele período, mais precisamente em abril de 2008, o ETF — que hoje se aproxima dos 40 dólares — chegou a romper o patamar de 100 dólares.

Curiosamente, há paralelos importantes entre 2008 e o momento atual

A taxa Selic — que naquele ano orbitava em 12,5% — encontrava-se na iminência de um ciclo de queda. Ao mesmo tempo, o entusiasmo com a Petrobras atingia seu ápice em meio às descobertas associadas ao Pré-Sal.

Do anúncio do poço de Tupi, em novembro de 2007, às especulações em torno do poço Carioca, em abril de 2008, as ações da Petrobras subiram cerca de 65% — uma alta muito semelhante à observada no ativo em 2026.

Feita essa comparação, não se deixe enganar pelos eventos que marcaram 2008.
Na minha avaliação, a probabilidade de uma crise financeira de grandes proporções, como a daquele ano, é baixíssima.

Venho argumentando, em áudios e textos, que estamos vivendo uma era marcada por um fenômeno que gosto de chamar de "Imprime quem pode!"

Refiro-me ao fato de que, entre os principais emissores de reserva de valor global — Estados Unidos, Europa, Reino Unido, China e Japão, — os respectivos bancos centrais, em conjunto com seus Tesouros Nacionais, permanecem em prontidão para sustentar os mercados de capitais.

Tudo isso é música para o Brasil

A recente alta do preço do petróleo, embora traga de volta antigos problemas de defasagem de preços na Petrobras, é interpretada pelos investidores globais como algo positivo.

Eles certamente não se esqueceram de que, em 2022 — durante o ano da invasão russa da Ucrânia — o preço médio do Brent computado pela Petrobras foi de 99 dólares por barril, contribuindo para um lucro recorde de aproximadamente 190 bilhões de reais.

No entanto, a recente fama do Ibovespa não decorre apenas do sucesso das ações da Petrobras e da Vale. Estamos testemunhando valorizações expressivas também em bancos, nas ações da B3, da Eletrobras (Axia Energia) e em outras empresas de grande porte do índice.

Argumento que, talvez nunca antes na história do Ibovespa, o Top 15 do índice tenha demonstrado tamanha resiliência.

Empresas como Petrobras, Vale, Bradesco, Banco do Brasil e Eletrobras, por exemplo, passaram por importantes momentos de adversidade nos últimos 15 anos.

E é justamente na adversidade que essas organizações não apenas crescem, mas se tornam estruturalmente mais resilientes. Petrobras e Vale, por exemplo, enfrentaram duros ciclos de investimento ligados ao Pré-Sal e ao S11D, respectivamente.

Bradesco e Banco do Brasil sofreram forte de-rating associado a problemas de gestão e concessão de crédito. Já a Eletrobras ainda tem muito a colher em ganhos de eficiência após a privatização.

Os investidores internacionais sabem disso. Por essa razão, eles vêm aumentando a alocação em ações brasileiras de grande porte. Quanto ao fluxo internacional, até o fim de março o acumulado de investimento estrangeiro em bolsa superou 50 bilhões de reais, ou aproximadamente 10 bilhões de dólares.

É um valor expressivo.

Ainda assim, vale lembrar que a Índia recebeu algo próximo de 45 bilhões de dólares entre 2022 e 2023. Esse movimento elevou estruturalmente o patamar das ações indianas, que passaram a negociar com múltiplos comparáveis aos das Big Techs norte-americanas.

Também não posso deixar de mencionar a consistente valorização da moeda chinesa frente ao dólar. Quando comecei esta jornada de otimismo, um dólar valia 7,25 iuanes. Hoje, vale apenas 6,82.

E as perspectivas para a continuidade desse movimento seguem positivas.

Tenho insistido, nos áudios publicados na EQI+, que o tema Trump em Pequim poderá trazer surpresas nessa direção.

Provavelmente veremos um iuane ainda mais forte, dialogando bem com um real também mais forte.

Tudo isso reforça a resiliência do Ibovespa, e também dos sete argumentos em favor de uma valorização expressiva do índice.

O Ibovespa segue barato. Está entrando na moda, mas ainda longe do auge do desejo mimético. E já se encontra em tendência de alta.
Isso é sensacional.

Por fim, concordo com o título do artigo do Zero Hedge:

O Brasil é, de fato, a aposta mais interessante entre os mercados emergentes.


Um abraço e bons investimentos!

Marink Martins, CNPI

P.S.: Mesmo em um cenário construtivo para o Brasil, proteger parte do patrimônio continua sendo uma decisão inteligente. Para isso, a Carteira Safe Haven , desenvolvida pelos analistas da EQI Research, pode cumprir um papel importante ao adicionar mais equilíbrio e defesa à alocação. [ Acesse aqui]


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