E ainda sobre eleições e mercados
Falar ainda é de graça, e achismo é democrático. Dito isso, vale recorrer à memória.
Lembro bem da eleição de Trump em 2016. Não dormi naquela noite. Durante a madrugada, vi o S&P 500 cair cerca de 8%, especialmente nos mercados asiáticos, que precificavam a vitória de Hillary Clinton e demonstravam forte apreensão com Trump.
Quando a bolsa abriu em Nova York, porém, toda a queda já havia sido eliminada. À época, o S&P 500 estava em torno de 2.135 pontos.
Trago esse episódio porque o mercado costuma atribuir um peso enorme às eleições — e, com a mesma rapidez, esquecer suas próprias narrativas.
Vamos ao Brasil em 2014. Apesar da vitória de Dilma Rousseff, a indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda ofereceu ao mercado uma excelente janela de saída. O medo político foi rapidamente substituído por pragmatismo econômico.

Avancemos para os EUA novamente. Biden também assustou. Ainda assim, foi sob seu governo que vimos fortes valorizações na bolsa americana. E muitos esquecem um detalhe curioso: o "velhinho" Biden mandou vender petróleo da reserva estratégica e recomprar abaixo de US$ 70.
👉 Biden, o trader.
Em 2022, foi a vez de Lula gerar apreensão. No entanto, seis meses depois, o Ibovespa já havia retornado às máximas.
Vale lembrar também que o dólar não sobe de forma sustentada contra o real há cerca de cinco anos. Isso apesar de termos testemunhado, em dezembro de 2024, a maior saída de capitais do Brasil em muito tempo.
Em suma: falar de eleição rende conversa, engajamento e manchetes. Mas, quando olhamos o histórico, sua eficácia como ferramenta preditiva de mercado tem um track record bastante duvidoso.
MyVOL | Marink
