Alocação de Recursos

30/06/2017

Sobre a alocação de recursos para aqueles entre 20 e 39 anos de idade (Parte 1)

Recentemente, fui perguntado por um jornalista do Estadão sobre qual seria a melhor alocação de recursos para indivíduos que estejam na faixa etária entre 20 e 39 anos de idade, buscando poupar recursos para uma aposentadoria mais confortável. 

Não vi muito sentido em tentar ser original, e respondi que nesta faixa etária uma alocação de 60% em ações e 40% em renda fixa parece ser a mais apropriada de acordo com a literatura financeira dos últimos anos. É certo que a literatura a qual me refiro é a norte-americana, feita para americanos que habitam um mundo de juros baixos e empresas produtivas e inovadoras. Seria tal alocação apropriada para os jovens brasileiros, vivendo em um país onde os juros são mais elevados e as oportunidades de investimentos em ações são mais limitadas? Se olharmos para dados históricos dos últimos dez anos, os resultados são extremamente enviesados em direção a uma maior alocação em renda fixa, uma vez que o principal índice de renda variável no país, o Ibovespa, não registra um novo recorde há quase uma década. Mas, atribuir muito peso ao passado é certamente um equívoco. De lá para cá, muita coisa mudou, sendo que uma das principais e mais significativas mudanças é que endividamento bruto do país cresceu significativamente. E o que isso quer dizer? Isso quer dizer que o país simplesmente não terá condições nos próximos anos de arcar com o peso dos juros como nos anos anteriores. As taxas estão caindo, e acredito que desta vez, seja para valer. Hoje mesmo temos como uma das principais manchetes nos jornais a intenção do Ministério da Fazenda de aumentar os impostos em busca de cumprir a meta orçamentária definida previamente de um deficit de R$142 bi. Naturalmente, estamos falando de deficit primário, aquele que é o resultado das receitas tributárias menos as despesas do governo, antes do pagamento de juros. Porém, se a situação está drástica no primário, imaginem o resultado nominal, aquele que subtrai as despesas de juros; esse tem sido superior a 6% e, até superando 10%, em algumas ocasiões. Além disso, André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, se destacou ao longo deste ano em matérias no Valor Econômico argumentando sobre a ineficácia de uma política de juros elevado no combate a inflação. Por tudo isso, acredito que as taxas de juros do passado não são um bom indicador para aquelas a serem praticadas no futuro.

Já no que diz respeito a alocação de 60% dos recursos em renda variável, existem diversos argumentos a favor de uma performance mais robusta das grandes empresas brasileiras. Primeiramente, os últimos anos foram extremamente difíceis, exigindo que muitas empresas reduzissem tanto o nível de endividamento quanto o quadro de funcionários, de forma que, hoje, as sobreviventes aparentam estar bem mais resilientes. Fora isso, o percentual de alocação em renda variável, tanto de investidores institucionais como de pessoas físicas, está bem abaixo dos níveis registrados em 2009 e 2010. Arrisco-me dizer que, se não fosse pelo o risco político que paira pelo país, as ações brasileiras estariam bem mais demandadas. Definido tais percentuais de alocação, irei dar continuidade a este tema nos Comentários de Mercado de amanhã, mencionando aqui as sugestões de Edward Thorp, aquele do livro A MAN FOR ALL MARKETS, sobre como proceder no que diz respeito a escolha dos ativos a investir.

Marink Martins

www.myvol.com.br