Petrobras versus Exxon

Além da análise comparativa que clama por uma CONVERGÊNCIA entre os "valuations" da Petrobras e da Exxon, é importante que você entenda o seguinte:
O percentual alocado no setor Energia em índices como S&P 500 e MSCI Global está próximo a mínima histórica. Veja a imagem acima.
Observe que houve uma recuperação do setor logo após o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Tal recuperação, por menor que tenha sido, foi super marcante para os investidores.
Por isso, acredite: a assimetria para o investidor do setor é CONVIDATIVA.
Agora, vamos à comparação pertinente: Petrobras x Exxon.
Em 2010, o Brasil ainda era Investment Grade , e a Petrobras sonhava com o pré-sal.
Naquele momento, o valor de mercado da Petrobras era 47% do valor da Exxon.
Os anos passaram.
O Brasil perdeu o grau de investimento.
A Petrobras se endividou fortemente com projetos de capex e sofreu as consequências da Lava Jato.
Em 2015, estava superendividada, com o petróleo abaixo de US$ 30 por barril.
Mas tudo passa.
Entre 2016 e 2017, os estímulos monetários globais reacenderam as commodities.
O petróleo voltou a subir e, sob a gestão de Pedro Parente, a Petrobras arrumou a casa em dois anos.
Em 2020, veio a pandemia.
O preço do petróleo despencou, o câmbio se desvalorizou e a empresa teve de fazer um grande write-down .
Naquele momento, o valor de mercado da Exxon chegou a ser 10 vezes maior que o da Petrobras.
Poucos imaginavam o que viria depois.
Nos cinco anos seguintes, as petrolíferas brilharam.
A Petrobras entregou um retorno total anualizado de 38,9%,
enquanto a Exxon rendeu 32,9% no mesmo período.
Em um mundo que só falava de Big Techs, foram as Big Oils que roubaram a cena.
Hoje, a Exxon vale sete vezes mais que a Petrobras.
E isso, sinceramente, parece uma das maiores distorções do mercado.
Veja os números:
Margem operacional da Petrobras: entre 27% e 30%
Margem operacional da Exxon: entre 13% e 16%
Margem líquida da Petrobras tende a 20%
Margem líquida da Exxon fica em torno de 11%
Em reservas provadas, a diferença é mínima:
15 bilhões de barris na Petrobras, contra 16,5 bilhões na Exxon.
E há um ponto crucial.
A Exxon colhe agora o sucesso na margem equatorial da Guiana, celebrada pelos investidores.
O mercado paga P/L de 17x pelas ações da Exxon.
Enquanto isso, a Petrobras, negociando com um P/L abaixo de 4x,
está começando a explorar a mesma margem equatorial, agora em território brasileiro.
O mercado está celebrando o passado da Exxon e ignorando o futuro da Petrobras.
O lucro projetado para 2026 é de US$ 20 bilhões para a Petrobras,
e US$ 29 bilhões para a Exxon.
Uma diferença modesta — que não justifica a Exxon valer sete vezes mais.
É ou não é uma discrepância extremamente convidativa?
Marink Martins
