A treta internacional do momento - Elon Musk vs. Linette Lopez

12/07/2018

Há uma treta envolvendo o Elon Musk, fundador da empresa de carros elétricos - TESLA, e a jornalista da BUSINESS INSIDER, Linette Lopez, que é reminiscente de um embate ocorrido no início da época passada, em um período marcado pelo colapso da gigante do setor de energia, ENRON.

Durante os anos 90, Jeffrey Skilling, CEO da Enron era o cara!!! Formado em Harvard e com passagem pela McKinsey, Skilling achava que poderia revolucionar o mundo. Transformou a Enron de uma empresa focada na distribuição de gás natural na maior empresa de trading de energia do mundo. No processo ambicioso de expansão global da empresa, seus diretores, incluindo aqui Skilling, foram acusados de fazer uso de uma contabilidade fantasiosa por uma linda jornalista que estava disposta a ir fundo em sua investigação sobre a empresa. Seu nome: Bethany McLean.

Bethany McLean fez história ao revelar as falcatruas da Enron. Seu livro, THE SMARTEST GUYS IN THE ROOM, publicado em parceria com o escritor Peter Elkind, revelou toda a criatividade contábil que fora predominante nos anos 90, e que permitiu a Enron enganar não só Wall Street, mas também todos os seus funcionários que aplicaram grande parte de sua aposentadoria nas ações da empresa. Jeffrey Skilling foi condenado a prisão por 13 anos, e deverá sair do presídio de Montgomery no dia 21 de fevereiro de 2019.

E o que tudo isso tem a ver com Elon Musk?

Bem, há diversos paralelos entre Skilling e Musk. Ambos são pontos fora da curva no quesito inteligência. Musk, responsável pela TESLA, produz um carro elétrico que é uma unanimidade entre os usuários. Não há quem fale mal do carro. O carro é sensacional. O problema, entretanto, está na escalabilidade de sua operação.

Críticos afirmam que a TESLA perde dinheiro em cada unidade produzida do seu carro MODEL 3. Há uma pressão enorme para que a empresa honre com o cronograma de produção anunciado pelo seu fundador. Recentemente, a empresa revelou ter conseguido produzir uma quantidade superior à aquela aguardada pelo mercado. Suas ações subiram inicialmente, até que foi revelado que a empresa havia deixado de fazer um teste de segurança  básico, conhecido como "brake & roll", buscando poupar tempo.

Neste processo, Musk passou a acusar toda a comunidade financeira ligada a análise e disseminação de informações a respeito da TESLA. Em particular, mirou suas críticas a jornalista Linette Lopez da BUSINESS INSIDER, acusando-a de difamar a empresa e passar informações privilegiada à Jim Chanos, da Kynikos Associates, uma empresa conhecida como uma das maiores casas de "venda a descoberto" ("short selling") do mercado.

Onde isso vai parar ninguém sabe, mas Musk aos poucos, começa a exibir um comportamento um tanto parecido com o de Skilling na época em que a Enron estava no "spotlight". Lá atrás, o CEO da Enron chamou um analista de "asshole" e isso pegou muito mal. De forma análoga, há poucos meses, o fundador da TESLA perdeu a paciência com um renomado analista e fez pouco caso de suas perguntas, ridicularizando-o.

Bem, até o momento Elon Musk ainda é o cara!!! Torço daqui que as semelhanças com Skilling parem por aí, e que ele consiga calar a boca dos críticos transformando a TESLA em uma das maiores empresas do mundo. Mas o fato é que suas ações são, de longe, as mais "shorteadas" do mercado!

Marink Martins


Para grande parte da comunidade investidora brasileira, todas as mazelas que afligem a nossa bolsa são oriundas de incertezas fiscais. Ainda que não haja dúvida a respeito de nossa fragilidade fiscal, há outros fatores globais que vem contribuindo para um certo desdém em relação aos ativos brasileiros.

A expressão "The Winner Takes It All" (O Vencedor Leva Tudo!) é velha. Foi título de um dos maiores sucessos da banda sueca ABBA em seu álbum de 1980. Já no mercado de ações foi ganhando tração na medida em que foram surgindo "platform companies" como America Online (anos 90), Yahoo, Amazon Web Services, Google, Facebook, LinkedIn (Microsoft),...

Administrar um ciclo de queda nos preços das ações nunca é fácil. Agora, fazer isso durante um período em que boa parte do mundo vive um período de festa é bem mais difícil. Nos últimos dias, enquanto o índice S&P 500 registrou uma série de recordes de alta, por aqui registramos uma tremenda agonia.

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