29 anos de livre mercado na Polônia: uma inspiração para um novo Brasil

27/10/2018

Se existe uma economia europeia que vem registrando um crescimento econômico consistente nos últimos dez anos é a Polônia.

Após enfrentar uma tremenda recessão, com direito a inflação de 600% no ano, logo após o colapso na União Soviética em 1989, os polacos não viram outra alternativa senão promover reformas econômicas que colocassem o país em uma nova rota de crescimento.

Hoje, a Polônia é a oitava maior economia da União Europeia, grupo do qual é integrante desde 2004. Sua moeda tem se mantido estável e nos últimos anos o país crescendo seu PIB a um ritmo próximo a 5% ao ano. Com um risco-país na casa de 60 bp (comparado a 215 bp para o Brasil) podemos ver que o mundo considera a Polônia um lugar seguro para investir.

Ao ouvir o podcast Exchanges at Golman Sachs, episódio 106, "Talent and Technology: What´s Driving Poland´s growth" fiquei impressionado com a capacidade do país de se reinventar.

A economia está voltada para a exportação e tem uma enorme contribuição na cadeia de suprimentos que abastece a Alemanha.

Um dos desafios que vem sendo superado ao longo dos últimos anos é sair do que é conhecido, em inglês, como "mid-income trap" (armadilha da renda média).

Ao se juntar a UE em 2004, muitos polacos deixaram o país em busca de salários mais elevados na Inglaterra.

Contudo, recentes reformas flexibilizando o mercado de trabalho e uma combinação de mão-de-obra relativamente mais barata e qualificada vem atraindo empresas de grande porte como a Amazon que, em 2015, investiu um bilhão de dólares no país.

Na mesma época, o Banco Goldman Sachs inaugurou seu escritório em Varsóvia com 30 funcionários, e hoje já conta com 670.

Ao pesquisar sobre o país o que me chamou atenção foi a elevada colocação obtida por jovens no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Como podemos ver através do gráfico abaixo, os jovens polacos estão muito bem em termos relativos. Apesar do gráfico ser de 2012, os testes mais recentes reiteram a tese.

Por tudo isso, aos poucos, os polacos vêm retornando ao país em busca de oportunidades de crescimento profissional.

Na entrevista organizada pela Goldman Sachs, Artur Tomala, que é chefe de Investment Banking da região, fala sobre a perspectiva do surgimento de um Vale do Silício europeu na região.

Em meio a todo este otimismo, fui conferir a performance do ETF polaco e compará-lo ao brasileiro nos últimos anos.

 A aparente correlação entre os ETFs dos dois países provavelmente se justifica pelo fato de que o mercado de capitais de ambos depende do capital externo que tem estado arredio nos últimos meses. 

Marink Martins