BIG SHORT TESLA

19/08/2018

Dei um tempo da série "Guerra Comercial Sino Americana" pois achei uma ainda mais fascinante... BIG SHORT TESLA

Sensacionalismo a parte, os últimos eventos envolvendo a empresa e seu fundador, o carismático Elon Musk, são o prenúncio de que algo está para ocorrer que poderá abalar os pilares que suportam um dos mais longos ciclos de alta da bolsa americana.

Quem já acompanha os mercados há bastante tempo há de se lembrar de eventos corporativos que representaram um ponto de inflexão nos mercados. Neste sentido, podemos mencionar a revelação de fraudes contábeis que provocaram a derrocada das ações da Enron em 2001 e da WorldCom em 2002 (os acionistas da Embratel jamais esquecerão!!!). Alguns anos mais tarde, a revelação de perdas por parte do Bear Stearns deu início a uma das maiores crises da história recente.

Aqui no Brasil, a fraude associada as estimativas de reservas da OGX não só devastou o império de Eike Batista mas também levou milhares de investidores a registrarem enormes perdas patrimoniais.

Agora é chegada a hora da verdade para a mais famosa empresa de carros elétricos do mundo - a TESLA. Avaliada em aproximadamente US$50 bilhões, a empresa exibe o mesmo valor de mercado que a GM, embora produza somente 10% da quantidade de carros produzidos pela montadora tradicional. Embora haja unanimidade quanto a qualidade superior dos veículos produzidos pela empresa de Musk, é notório o fato de que a produção ficará muito aquém das previsões. Para piorar, nos últimos meses é crescente o ceticismo dos agentes de mercado, não só com relação a viabilidade da empresa, mas também com relação a capacidade administrativa do próprio fundador.

Tudo isso transformou a TESLA em um BIG SHORT - a empresa com maior número de investidores especulando sobre uma possível queda no preço de suas ações. A empresa conta com 170 milhões de ações emitidas, sendo que 117 milhões compõem o que é conhecido como "free-float" - ações que estão fora das mãos dos controladores e circulam livremente no mercado. Destas, aproximadamente 37 milhões de ações foram tomadas emprestadas e vendidas a descoberto na esperança de que seu preço irá despencar, permitindo que o "short seller" as recompre futuramente a um preço significativamente inferior.

Elon Musk é o maior acionista da empresa com uma posição de 33,6 milhões de ações, ou quase 20% do controle da empresa. A base acionária está repleta de nomes conhecidos entre os principais gestores globais.

Além disso, há um expressivo volume de contratos de opção de venda em aberto, onde o titular paga um prêmio ao lançador do contrato para ter o direito de vender um determinado número de ações por um determinado preço até uma determinada nada. A especulação sobre o futuro da TESLA está a todo vapor.

Com tudo isso, Musk, considerado por muitos o Thomas Edison dos tempos modernos, está à beira de um ataque de nervos.

Ainda não se sabe em detalhes as circunstâncias na qual o empreendedor resolveu lançar um tweet há duas semanas sinalizando ao mercado o interesse de fechar o capital da empresa pagando US$420/ação.

É possível que tenha sido fruto de um momento de desespero de Musk, pois sabe-se que, há tempos, ele não sabe o que é uma longa noite de sono. O fato é que ao lançar tal proposta, ele pode ter cometido um delito significativo perante a SEC, a autoridade no mercado de capitais norte americano.

Inicialmente, as ações se valorizaram. Mas, a cada dia que passa, o drama de Musk se intensifica e cresce o ceticismo de todos com tudo a seu respeito.

Logo após seu tweet propondo o fechamento de capital da empresa o preço das ações da TESLA subiram para US$380, "espremendo" o vendido. O "corner", entretanto, parece não ter sido convincente... as ações despencaram ao longo da última semana.

Irá Musk conseguir achar parceiros que o ajudem a honrar seu compromisso?

Caso ele tenha sucesso nessa jornada, tal operação poderá resultar em um dos maiores "corners" no mercado desde que a Porsche fez um "take-over" da VW em outubro de 2008.

Em caso contrário, há a possibilidade de que as ações da TESLA despenquem de forma análoga as situações descritas no início deste texto nos casos Enron e Worldcom.

As ações da TESLA negociam a um múltiplo de 193x o lucro projetado para o próximo ano -- um prêmio certamente associado ao carisma conquistado por seu fundador. Estaria tal carisma na iminência de ser dissipado?

Recentemente, o conselho de administração da TESLA expressou preocupação quanto ao uso de drogas recreativas assim como do remédio Ambien por Elon Musk.

As próximas semanas serão cruciais nesta novela e vou te manter informado sobre este evento que certamente poderá ter repercussões globais.

Marink Martins

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Ao longo dos últimos meses, venho chamando atenção do leitor a respeito da relação entre o agregado monetário M2 e indicadores econômicos, como o PIB Nominal e o próprio índice de ações do país.

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