Buscando detectar se há bolha nas bolsas dos EUA através de dois gráficos!

15/07/2018

Você sabe aquela situação em que o preço dos imóveis em uma determinada região sobe em um ritmo mais acelerado do que seus respectivos aluguéis?

Bem, vivemos tal situação no Rio de Janeiro durante os anos que antecederam as olimpíadas. Todos sabiam que, em algum momento, um ajuste seria necessário. Ou o preço dos imóveis cairia, ou o valor dos aluguéis subiria; ou, um pouco dos dois. Afinal, esta é uma relação que tende a reverter à sua média histórica. E se incorporarmos a esta análise o comportamento da taxa básica de juros, aí temos uma boa estrutura para avaliarmos em que estágio no ciclo econômico se encontra o mercado imobiliário.

Assim, o gráfico abaixo ilustrando a relação "Price-to-Rent" (Preço/Aluguel) nos EUA nos mostra que o mercado imobiliário americano está longe de exibir um comportamento que pode ser classificado como uma "bolha".  

Busco inspiração nesta relação presente no mercado imobiliário dos EUA para promover uma análise similar, mas desta vez direcionada ao mercado acionário daquele país. 

Argumento aqui que há uma analogia a ser feita entre a relação PREÇO/ALUGUEL no mercado imobiliário com a relação entre o patrimônio consolidado das famílias americanas e a renda anual consolidada das mesmas. Algo tipo um índice Preço/Lucro (P/L), sendo que no lugar do Preço colocaríamos o patrimônio consolidado das famílias americanas. Já no lugar do Lucro consolidado das empresas, colocaríamos a renda consolidada das famílias. 

Tal patrimônio consolidado consiste, em grande parte, de imóveis e ativos financeiros. Dentre os ativos financeiros destaca-se o valor das ações detidas por cidadãos americanos; algo que vem se valorizando de forma expressiva ao longo dos últimos 9 anos.

Embora a relação entre patrimônio e renda seja significativamente mais complexa do que aquela discutida aqui para o mercado imobiliário, não podemos descartar a presença de forças que contribuem para uma certa reversão à média.

E, se este for o caso, o gráfico abaixo ilustrando tal relação -- patrimônio ("net worth") e renda anual ("disposable income") mostra-se um tanto assustador!

À primeira vista o gráfico acima é sugestivo de uma enorme BOLHA no mercado acionário americano. Por que afirmo isso? Ora! O gráfico ilustra um patrimônio que sobe de forma acelerada sem o respectivo aumento na renda daqueles que dão sustentação a economia do país.

Entretanto, como tudo em economia, as coisas não são tão diretas e tão simples assim. Imóveis e ações são bens distintos em diversos aspectos. Além disso, devemos levar em consideração fatores como ganhos de produtividade das empresas emissoras de tais ações e, mais importante, em minha opinião, a crescente desigualdade na economia americana.

Sabe-se que os ganhos de produtividade registrados pelo setor corporativo americano, como um todo, são declinantes.

Já a desigualdade em termos de renda anual por família só faz crescer. De acordo com dados publicados pelo OECD, 10% das famílias americanas detém 79,5% do patrimônio do país. Pior ainda (para os excluídos) é o fato de que 1% das famílias detém 42% do patrimônio do país. Observe a tabela abaixo:

Este tipo de concentração de renda distorce de forma significativa análises como esta ilustrada no gráfico mais acima. Afinal, se excluirmos este 1% mais rico, a situação patrimonial norte-americana muda de forma absurda.

Um outro fator, dentre inúmeros a serem observados para uma análise mais robusta, está relacionada ao fenômeno conhecido como O VENCEDOR LEVA TUDO. No mundo corporativo é cada vez mais comum vermos um único participante abocanhar uma parcela significativa das vendas totais relacionadas ao seu segmento de atuação.

Para finalizar, temos também nos últimos anos um declínio significativo no número de empresas listadas nos EUA. De 1995 para 2015, o número de empresas listadas caiu de 8,090 para 4,331. Em outras palavras, há um menor número de emissores para absolver todo o excesso de liquidez gerado nos últimos anos.

Sendo assim, devemos levar em consideração que a dinâmica norte-americana é uma cada vez mais desigual em diversos sentidos. Há tempos, o que realmente importa para respondermos se há ou não uma bolha na bolsa norte-americana é o que acontece com os 10% mais ricos da população, e provavelmente, com as empresas líderes em seus respectivos segmentos. O resto, infelizmente, parece só servir para distorcer as médias.

Marink Martins

Espera-se que quanto mais importante e maior for um determinado ativo, maior será o escrutínio por parte dos analistas envolvidos. Assim, é natural esperar que empresas cujas capitalização de mercado supere 1 trilhão de dólares se comporte de forma menos volátil exibindo assim uma maior previsibilidade.

Estaria o mercado de ações norte-americano precificado de forma a refletir um pouso suave perfeito? Penso que este é o questionamento do momento.

Tomo emprestado o título de hoje de um email que recebo diariamente do serviço Zero Hedge Premium -- serviço que assino (junto com outros) com objetivo de agregar valor para estes comentários de mercado. Neste, a casa de análise nos apresenta diversos gráficos ilustrando a semelhança do momento atual na bolsa americana com o ocorrido em outras...

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