Cala a boca Paul Tudor Jones!

13/06/2018

Se você é um estudioso do mercado de ações provavelmente está questionando a minha audácia ao mandar calar um ícone dos mercados.

A história de sucesso deste famoso trader é inquestionável. A razão para o meu título sensacionalista reside no fato que Tudor Jones, em entrevista exclusiva à CNBC, disse ontem que o mercado é indiferente a um aumento de 1% na taxa básica de juros, uma vez que a lucratividade das empresas vem crescendo a taxa de 20% ao ano. Ele foi além e disse que espera uma forte valorização nas ações americanas após as eleições no congresso norte-americano.

Bem, o que irá acontecer aos preços das ações ninguém sabe. Mas afirmar que o mercado é indiferente a um aumento nos juros justamente em um período onde há uma briga entre economistas se o Fed irá elevar 3 ou 4 vezes a taxa do "fed funds" soa como alguém querendo promover sua própria carteira. Não quero aqui atacar o nobre trader. É até possível que eu esteja tirando de contexto a sua verdadeira mensagem.

De qualquer forma, aproveitando que hoje é dia de reunião do Fed, dia de aumento em 0,25% da taxa do "fed funds", vale ressaltar que o mercado estará atento ao discurso de Jerome Powell em busca de pistas sobre os próximos passos da instituição.

Lou Crandall, o famoso "Fed Watcher" da Wrightson ICAP, acredita que o Fed poderá surpreender positivamente o mercado ao anunciar que sua fase de redução de ativos (QT = "Quantitative tightening" ou "aperto quantitativo") poderá ser bem mais breve do que esperado pelo mercado. Caso isso ocorra, a reação do mercado pode ser uma de euforia.

Entretanto, há muitos pessimistas na praça. No campo daqueles que acreditam em uma maior pressão advinda de pressões salariais, está o economista chefe da Goldman Sachs que acredita que o Fed irá levar sua taxa básica para o intervalo entre 2,25%-2,5% até o fim deste ano; uma taxa superior ao retorno sobre dividendos do índice S&P 500.

O anúncio das decisões da reunião do Fed ocorre nesta quarta-feira, às 15:00 (Brasília).

Marink Martins

Para grande parte da comunidade investidora brasileira, todas as mazelas que afligem a nossa bolsa são oriundas de incertezas fiscais. Ainda que não haja dúvida a respeito de nossa fragilidade fiscal, há outros fatores globais que vem contribuindo para um certo desdém em relação aos ativos brasileiros.

A expressão "The Winner Takes It All" (O Vencedor Leva Tudo!) é velha. Foi título de um dos maiores sucessos da banda sueca ABBA em seu álbum de 1980. Já no mercado de ações foi ganhando tração na medida em que foram surgindo "platform companies" como America Online (anos 90), Yahoo, Amazon Web Services, Google, Facebook, LinkedIn (Microsoft),...

Administrar um ciclo de queda nos preços das ações nunca é fácil. Agora, fazer isso durante um período em que boa parte do mundo vive um período de festa é bem mais difícil. Nos últimos dias, enquanto o índice S&P 500 registrou uma série de recordes de alta, por aqui registramos uma tremenda agonia.

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