Calmaria, Petróleo e Yellen

16/02/2018

Após o movimento de rotação, a calmaria


No dia 9/6, ocorreu um importante movimento de rotação na bolsa americana no qual investidores venderam ações das principais empresas do setor de tecnologia, utilizando os recursos provenientes da venda para comprar ações de bancos e petrolíferas. Tal movimento, conforme aqui discutido, fora extremamente importante por mostrar a resiliência de um movimento altista na bolsa americana que já dura oito anos. Neste mesmo período, como sabemos, nós brasileiros passamos por um período turbulento devido a crise política associada ao governo Temer. Mesmo assim, nas últimas semanas, nos reatamos com a onda altista global e entramos em ritmo de "risk on". Ontem, em particular, embalado pela condenação do ex-presidente, tivemos um dia de volume elevado, marcado por ótima performance associada à papeis de beta elevado, como Petrobrás, BR Malls, Gerdau, e outras. É possível que haja continuidade deste movimento, pois, como assinalado no Comentário de Mercado de ontem, há uma boa chance de que a calmaria seja duradoura.

As perspectivas para o preço do Petróleo de acordo com a Goldman Sachs (GS)

Jeff Curry, estrategista da GS, tem um enorme poder de convencimento. Sempre bem embasado, suas opiniões fazem preço. Ontem, ele foi a CNBC falar sobre seu novo relatório "Still in search for an equilibrium" (Ainda em busca de um equilíbrio) no qual busca atribuir razões para o recente pessimismo no setor. Dentre os fatores, ele menciona que o retorno da Líbia e da Nigéria ao mercado foi uma surpresa e que a velocidade de resposta do "shale gas" superou às expectativas. Ele complementa argumentando que há uma abundância de recursos no mercado direcionado à área de exploração; o que justifica tamanha expansão no número de plataformas em operação nos EUA ("rig count"). Para finalizar, Curry diz que o cenário ainda é aquele de "lower for longer", com o preço alvo de longo prazo para o barril de petróleo de US$50. Aproveito esta história para defender a equipe de análise da Gavekal, aquela empresa de pesquisa especializada em China e sediada em Hong Kong. Eles acertaram ao prever a queda do preço lá atrás, em junho de 2014, e uma vez que o mercado caiu, projetaram que o mercado oscilaria entre US$30 e US$50 por um longo período.

O depoimento de Yellen no comitê do senado (o antigo Humphrey-Hawkins)

Yellen vem ratificando a impressão passada ao mercado por Lael Brainard de que o Fed, em breve, entrará em compasso de espera. Mesmo que o mercado ainda se encontre um pouco inseguro quanto as consequências de uma eventual redução na carteira de títulos do Fed, o "momentum" é favorável. "Risk On"!!!

Marink Martins