EUA - Não mais um hegemon benevolente!
1971 — "The dollar is our currency, but it's your problem."

Muito se falou ao longo dos últimos meses sobre um possível retorno de pressões inflacionárias ao redor do mundo.
Um dos argumentos mais interessantes neste sentido é o fato de que os chineses passaram a se preocupar com questões como poluição, qualidade de vida, e outros fatores anteriormente ignorados. Por muitos anos, a orientação do governo central chinês que era passada aos líderes das províncias era algo tipo: "produza o máximo possível". Isto já não é mais o caso, e as consequências desta nova atitude já podem ser vistas na precificação de algumas commodities. Assim, os chineses que passaram 15 anos "exportando deflação" para o resto do mundo, deixariam de fazer isso.
Entretanto, a retórica em torno da inflação está mudando. E a razão para isso parece estar associada ao fraco crescimento econômico registrado na Europa.
Já se discute a respeito de uma intensificação dos problemas na Europa. A diferença entre as taxas de juros da Alemanha e Itália volta a preocupar pelo fato de projetar uma situação de insustentabilidade para a moeda europeia.
Se, de fato, voltarmos a conviver com um sentimento de aversão a risco na Europa, o mais provável é que o FED mude sua trajetória no que diz respeito a política de juros norte-americana.
Neste caso, é possível vermos a taxa de juros dos títulos de 10 anos dos EUA recuar para patamares mais próximos de 2%, invertendo a curva de juros.
E como isso impactaria a bolsa brasileira?
Desculpem-me por não oferecer aqui uma resposta objetiva. Eu, de fato, não sei. Entretanto, tal situação, mesmo que de forma turbulenta no início, poderá reduzir a atratividade da moeda americana e favorecer investimentos em mercados emergentes.
A principal mensagem aqui é que devemos voltar a olhar para a Europa com mais cuidado. Em particular, devemos monitorar de perto a taxa de juros de 10 anos dos títulos italianos. Você poderá fazer isso através de uma consulta ao site Bloomberg e/ou da CNBC.
Um bom fim de semana,
Marink Martins
1971 — "The dollar is our currency, but it's your problem."
Caro leitor,
No dia 1º deste mês, o Zero Hedge publicou uma reportagem com o título: "Brazil Is Quietly Becoming the Cleanest EM Trade" — ou, em tradução livre, "O Brasil está, silenciosamente, se tornando a aposta mais interessante entre os mercados emergentes".
A matéria destacava o fluxo de investimentos direcionado ao país e sua...
Estamos vivendo o fim de um ciclo. A narrativa de desglobalização e guerra comercial que dominou os últimos anos pode estar prestes a ser substituída por uma "Grande Transação".