"Crowded trades", carros elétricos, preço do petróleo, aniversário do Plano Real

02/07/2018

Sobe no boato realiza no fato

O comportamento da moeda mexicana após a eleição de um candidato de esquerda ilustra bem o que é um trade "crowdeado".

Quando todos esperam e se preparam para o pior os "já comprados" não conseguem achar o comprador marginal para vender seus títulos/contratos/ações. Com isso, temos o famoso sobe no boato e realiza no fato.

Por aqui, está todo mundo falando que a volatilidade vai explodir com a proximidade das eleições. Será? É certamente possível. Entretanto, observe que quanto maior for o número de preocupados, menor tende a ser o efeito surpresa de um movimento adverso. Isso se aplica para todos os ativos, principalmente aqueles relacionados a taxa de câmbio.


Sobre o impacto da produção de carros elétricos no preço do petróleo


O número total de veículos elétricos já circulando ao redor do mundo (3,1 milhões) é superior ao total de veículos de combustão interna produzidos no Brasil em 2017 (2,2 milhões).

O que é bastante curioso aqui, de acordo com estudos da Goldman Sachs, é que devido a preocupações com o crescimento da venda de carros elétricos a curva do preço futuro do petróleo foi de "contango" para "backwardation"; isto é, os preços futuros estão abaixo do preço spot. O analista afirma que esse período tende a ser o período mais lucrativo para as "Big Oil" (as 7 grandes produtoras + estatais). De forma bem resumida, o custo de financiamentos de projetos na área de exploração começa a ficar mais elevado, tornando-se uma barreira para os pequenos produtores. Em paralelo, o segmento de shale gas/oil começa a enfrentar uma série de problemas logísticos.

Quanto a produção de carros elétricos, vale ressaltar que, disparado em primeiro lugar, temos a Noruega em primeiro lugar no ranking dos países com o maior percentual do total de vendas de veículos neste segmento: 39,2%. A Islândia vem em segundo lugar, com 11,7%, com a Suécia em terceiro, com 6,3% das vendas.

Em termos absolutos, a China lidera o ranking registrando vendas de 1,23 milhões de veículos elétricos em 2017, o que equivale a uma fatia de mercado de 2,2%. Já nos EUA, o total de venda deste tipo de veículo atingiu o patamar de 760 mil, ou 1,2% do total vendido no ano.



O preço do petróleo e seu impacto fiscal na conta dos principais produtores da commodity

Qual seria o preço do petróleo necessário para que alguns dos principais países produtores da commodity equilibrassem suas contas?

De acordo com o FMI, o preço médio do petróleo registrado ao longo de 2017, de US$54,75/barril (brent), contribuiu para que a Arábia Saudita registrasse um déficit fiscal de 9% de seu PIB. Para equilibrar suas contas em 2018, o FMI estima que os Sauditas precisam que o Brent fique na faixa de US$88.

Já seu rival, o Irã, consegue equilibrar suas contas com o petróleo na faixa de US$68. Os Russos precisam que o preço do petróleo fique acima de US$40, enquanto os venezuelanos precisariam do petróleo custando US$223!!!

Bem, o petróleo pode até ser venezuelano, mas a DOENÇA certamente é holandesa!!!



Vamos comemorar o aniversário do Plano Real

Aproveitando que hoje é aniversário do plano real, vamos falar de desvalorização cambial.

Ao longo dos últimos meses a moeda venezuelana foi aniquilada por culpa de um governo que Ciro Gomes diz ser democrático.

Recentemente, escrevi um texto cujo título era: Não há nada tão ruim que não possa piorar. Tomara que tenhamos a sensatez ao votar para que evitemos situações calamitosas como estas vistas nos países abaixo:

Desvalorização cambial frente ao dólar acumulada ao longo do ano de 2018:

Brasil - Real - 15%
Turquia - Lira - 18%
Angola - Kwanza - 33%
Argentina - Peso - 36%

Marink Martins

Acima, o gráfico do "Credit Default Swap" (CDS) do Brasil para prazos de 10 anos. O CDS representa uma espécie de custo de seguro para aqueles que buscam sair do risco-Brasil temerosos de que o país não conseguirá cumprir suas obrigações externas. Como podemos observar tal risco se encontra em patamar baixo em termos históricos.

Sobreviver não basta para caracterizar uma boa empresa. Mas sobreviver, adaptar-se, melhorar a governança, continuar investindo e, em muitos casos, tornar-se ainda mais competitiva dizem alguma coisa.

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