Disrupção Geopolítica

03/05/2018

Os EUA enviaram uma super delegação à China que inclui o secretário do tesouro, Steven Mnuchin, o secretário de comercio, Wilber Ross, o diretor do conselho econômico Larry Kudlow, o representante de comercio exterior, Robert Lighthizer, e finalmente, o conselheiro Peter Navarro. Serão dois dias de negociações intensas, e do outro lado da mesa estarão o presidente chinês, Xi Jinping, o vice presidente, Wang Qishan e o influente ministro da econômia, Liu He.

Se em 1971, uma visita secreta do diplomata americano Henry Kissinger trouxe a China para mais perto, existem boas chances de que a visita atual faça o oposto.

Na pauta: Fazer com que a China desista do projeto Made in China 2025.

O que é o projeto Made in China 2025? Trata-se de um plano ambicioso de transformar a China em um país auto-sustentável, líder na utilização de inteligência artificial e outras tecnologias de ponta. O governo chinês está dedicando mais de US$500 bilhões nesta iniciativa transformacional.

Os chineses, já antecipando as demandas americanas, já mandaram seu recado de que demandas relacionadas a tal iniciativa são inegociáveis.

Para o chinês o palco está armado para mostrar ao mundo a sua capacidade de liderança global.

Os Americanos, por sua vez, já têm um plano B com data marcada: Até a terceira semana de maio, irão impor sanções a investimentos chineses nos EUA. O caso ZTE foi só um "appetizer" sobre o que está por vir.

Já para o resto do mundo, existe uma elevada probabilidade de que um desfecho desfavorável tome a forma de uma guerra fria comercial com potencial de marcar o fim do longo período DES-inflacionário iniciado nos anos 80.

Marink Martins

Acima, o gráfico do "Credit Default Swap" (CDS) do Brasil para prazos de 10 anos. O CDS representa uma espécie de custo de seguro para aqueles que buscam sair do risco-Brasil temerosos de que o país não conseguirá cumprir suas obrigações externas. Como podemos observar tal risco se encontra em patamar baixo em termos históricos.

Sobreviver não basta para caracterizar uma boa empresa. Mas sobreviver, adaptar-se, melhorar a governança, continuar investindo e, em muitos casos, tornar-se ainda mais competitiva dizem alguma coisa.

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