Dólar Break-Out -- DXY acima de US$96!

10/08/2018

O dia começa com a moeda americana registrando novas máximas contra as principais moedas globais. O dólar index (DXY), após dois meses oscilando entre 93,5 e 95,5, finalmente rompeu os US$96 e já provoca ruídos ao redor do mundo. A moeda turca, por exemplo, registrou uma nova mínima e as perspectivas para o país parecem estar cada vez mais sombrias.

E o que dizer desta mais recente valorização do "Mighty Dollar"?

De acordo com Charles Gave, um dos estrategistas da Gavekal Research, trata-se de uma questão de os EUA estarem apresentando um melhor retorno sobre o capital investido (em inglês, ROIC) do que seus pares.

Adepto aos princípios econômicos delineados pelo economista sueco Knut Wicksell, Charles Gave busca sempre interpretar as oscilações cambiais do ponto de vista do ROIC.

Em sua opinião, os EUA, através da redução dos impostos e da desregulamentação, vem, de forma surpreendente, mantendo uma maior atratividade de capitais; um movimento que já dura bastante tempo.

Embora muitos analistas esperassem por um certo rebalanceamento global que beneficiasse empresas europeias e asiáticas, eventos recentes como uma nova postura protecionista norte-americana vem contribuindo para uma expectativa de que o ROIC das empresas norte-americanas -- em particular do setor de tecnologia -- continue mais elevado do que aquele registrado por outras empresas globais. Isso, na interpretação de Charles Gave, tem tudo a ver com o mais recente movimento de apreciação da moeda americana.

O estrategista da Gavekal argumenta que na ausência de medidas que vão na direção de um maior grau de competitividade, só restará a Europa desvalorizar sua moeda como forma de equilibrar o ROIC esperado em comparação ao que está sendo praticado nos EUA. De abril para cá, as ações francesas tiveram um desempenho inferior ao registrado pelas ações americanas em 8%. Já as ações da Alemanha, 10%. Na Ásia, o desempenho foi ainda pior, com o mercado japonês registrando uma performance 12% inferior.

Há quem diga que a principal razão para o excelente desempenho das ações americanas seja fruto de movimentos de recompra de ações, e que esta recém-apreciação tende a ser um evento momentâneo.

De fato, as empresas americanas vêm adquirindo suas ações em um ritmo frenético, a caminho de bater todos os recordes, com uma recompra total estimada para 2018 na casa de um trilhão de dólares. E, o mais perturbador nisso, é o fato de que tal evento vem ocorrendo justamente em um período em que "insiders" (diretores e outros executivos) vem atuando justamente na ponta oposta, se desfazendo de suas posições.

Bem, de uma forma ou de outra, o que temos no presente é um dólar que parece estar a caminho de mais uma pernada de valorização. Historicamente, sempre que isso aconteceu no passado, os mercados globais passaram por momentos de fortes oscilações. Vamos observar.

Um bom fim de semana a todos,

Marink Martins


Para grande parte da comunidade investidora brasileira, todas as mazelas que afligem a nossa bolsa são oriundas de incertezas fiscais. Ainda que não haja dúvida a respeito de nossa fragilidade fiscal, há outros fatores globais que vem contribuindo para um certo desdém em relação aos ativos brasileiros.

A expressão "The Winner Takes It All" (O Vencedor Leva Tudo!) é velha. Foi título de um dos maiores sucessos da banda sueca ABBA em seu álbum de 1980. Já no mercado de ações foi ganhando tração na medida em que foram surgindo "platform companies" como America Online (anos 90), Yahoo, Amazon Web Services, Google, Facebook, LinkedIn (Microsoft),...

Administrar um ciclo de queda nos preços das ações nunca é fácil. Agora, fazer isso durante um período em que boa parte do mundo vive um período de festa é bem mais difícil. Nos últimos dias, enquanto o índice S&P 500 registrou uma série de recordes de alta, por aqui registramos uma tremenda agonia.

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