Louis vs. Luis

16/02/2018

O convívio diário com os mercados, em muitas ocasiões, nos faz imaginar coisas como relações de causa e efeito esdrúxulas assim como teorias da conspiração e batalhas que só existem na mente de obsessivos. Louis vs. Luis, é um ótimo exemplo de uma "batalha" que existe na minha mente e talvez na de mais alguns que demonstram similar patologia. O primeiro se trata de Louis-Vincent Gave, presidente da Gavekal, famosa empresa de pesquisa global com sede na China. Já o segundo se trata de Luis Stuhlberger, o mais celebrado dos gestores brasileiros, fundador da Verde Asset. O Louis da Gavekal se destaca por seu otimismo perante a economia chinesa e sua moeda. Entre seus principais argumentos, está a sua percepção de que o mundo encontra-se "underweight" em ativos chineses. Para Louis, é uma simples questão de tempo para que se ocorra uma abertura da conta de capitais chinesa, o que promoverá uma avalanche de recursos em direção ao país. Já Stuhlberger, mais avesso à mídia, acredita na presença de uma bolha na economia chinesa, inflada por via de uma expansão de crédito brutal que eventualmente ficará evidente a medida que bancos patrocinados pelo governo comecem a mostrar suas fragilidades. Stuhlberger está alinhado com famosos "short-sellers" como Jim Chanos, da Kynikos Associates, e muitos outros que veem prevendo, senão um colapso, pelo menos uma forte desvalorização do iuane. Mais razões para este idealizado confronto podem ser vistas através do vídeo MyCAP Tendências Globais que gravamos em junho deste ano através do link: https://youtu.be/X5FI2FGMnjg).

Como tal "confronto" já ocorre há um bom tempo, curiosos perguntarão sobre quem estaria vencendo. Indicadores parecem estar bem mais favoráveis à Louis Gave. Nos últimos meses, de fato, a China inaugurou mais um "link" com Hong Kong; desta vez permitindo que investidores globais comprem ativos de renda fixa chineses através de Hong Kong, algo que corrobora sua tese de uma eventual abertura de capitais. A moeda chinesa, que tanto assustou o mundo no início de 2016, vem se valorizando e, consequentemente, provocando enorme prejuízos aos pessimistas. O famoso fundo Verde de Luis Stuhlberger vem performando de forma "subpar" devido a suas apostas justamente contra tal moeda. Mas, como em frases comummente atribuída aos famosos técnicos Neném Prancha e Yogi Berra: "O jogo só termina quando acaba." Muitos já falavam que 2017, ano em que Xi Jinpin renovará seu mandato como líder chinês, seria um ano de baixa volatilidade devido a intervenções do próprio governo. A Gavekal, em um recente relatório, nos informa que os dados econômicos da China referente ao mês de julho já apontam para uma desaceleração neste primeiro semestre. Argumentam também que, mesmo assim, os preços de matérias primas, como o aço, se mantém em níveis elevados devido a intervenções estatais na oferta destes produtos.

Em meio a tantas previsões, o tema do nosso MyCAP Tendências Globais desta semana terá como base o "podcast" a Havard Business Review que fala sobre "Cassandras" e sobre quando devemos estar atentos a previsões catastróficas. Confira aqui: https://youtu.be/7MnMa-TFZI0 

Marink Martins