Não há nada tão ruim que não possa piorar!

28/06/2018

Os ciclos de "boom" (euforia) e "bust" (aversão a risco) no mercado de ações já foram mais do que "mapeados" pelos profissionais da área de finanças comportamentais. Sabe-se que, entre o período marcado pela presença de uma confiança exagerada e aquele marcado pelo desespero dos participantes, há um período dominado por um sentimento de negação.

Este período de negação toma diversas formas. Lembro-me bem de ocasiões em que quis me convencer que deveria manter uma determinada posição pois ela se encontrava mais do que dois desvios-padrão abaixo de sua média histórica. Quando não dispunha de argumentos técnicos ligava para outros investidores em busca de um conforto naqueles que também sofriam. É sempre assim!

Nas tesourarias de bancos há uma piada que diz que uma posição de longo prazo nada mais é do que uma de curto prazo que deu errado. Por lá o horizonte de investimentos é bem mais curto.

Por tudo isso, caso você esteja vivendo uma situação com estas características, está na hora de amadurecer e aproveitar a oportunidade de crescer intelectualmente.

Ao invés de ler sobre estratégias que irão amenizar a sua dor, como a velha "Buy & Hold", leia "Assim Falou Zaratustra" de Nietzsche e enfrente este momento adverso com determinação.

Keynes, o famoso economista, ficou famoso por uma das frases mais célebres no mercado: "Os mercados podem permanecer irracionais por mais tempo do que você ou eu podemos ficar solventes".

Dito isso, leia novamente o título deste texto.

Observe que recentemente os mercados emergentes entraram em um mercado baixista. Nos últimos dias, a bolsa chinesa começou a se deteriorar. Na Europa, além do enorme problema relacionado a imigração, temos os bancos (olhe para as ações do Deutsche Bank) voltando a decepcionar.

A pergunta a ser feita é a seguinte: será que as ações norte-americanas, mesmo após um dos mais longos ciclos de alta, conseguem se manter imunes ao mau-humor global?

Não sabemos a resposta. Mas a pergunta que você deve fazer a si é outra: como fica a sua vida financeira caso o preço dos ativos se deteriorem de forma significativa (uma queda de 30%)?

O importante é se manter vivo no mercado. Se uma queda desta proporção é suficiente para te tirar do mercado, pense melhor. Afinal, o mercado de ações é um lugar fascinante, e muitas vezes leva uma fama ruim devido a atrocidades cometidas por seus participantes.

Se esta história o fez refletir a respeito de sua situação financeira, fique aqui com o vídeo de Alain de Botton, Nietzsche e o Sofrimento abaixo. 

Isso certamente vai te ajudar mais do que qualquer livro de finanças.

Marink Martins

Para grande parte da comunidade investidora brasileira, todas as mazelas que afligem a nossa bolsa são oriundas de incertezas fiscais. Ainda que não haja dúvida a respeito de nossa fragilidade fiscal, há outros fatores globais que vem contribuindo para um certo desdém em relação aos ativos brasileiros.

A expressão "The Winner Takes It All" (O Vencedor Leva Tudo!) é velha. Foi título de um dos maiores sucessos da banda sueca ABBA em seu álbum de 1980. Já no mercado de ações foi ganhando tração na medida em que foram surgindo "platform companies" como America Online (anos 90), Yahoo, Amazon Web Services, Google, Facebook, LinkedIn (Microsoft),...

Administrar um ciclo de queda nos preços das ações nunca é fácil. Agora, fazer isso durante um período em que boa parte do mundo vive um período de festa é bem mais difícil. Nos últimos dias, enquanto o índice S&P 500 registrou uma série de recordes de alta, por aqui registramos uma tremenda agonia.

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