O Brasil além das urnas

Acima, o gráfico do "Credit Default Swap" (CDS) do Brasil para prazos de 10 anos. O CDS representa uma espécie de custo de seguro para aqueles que buscam sair do risco-Brasil temerosos de que o país não conseguirá cumprir suas obrigações externas. Como podemos observar tal risco se encontra em patamar baixo em termos históricos.
A conclusão de um relatório da Gavekal Research sobre a iminente eleição presidencial brasileira sintetiza uma forma de pensar com a qual me identifico:
"Se o Brasil conseguir caminhar sobre a estreita corda geopolítica entre Estados Unidos e China, sem hostilizar nenhuma das duas potências hegemônicas, estará bem-posicionado para se beneficiar tanto de margens mais elevadas nas commodities quanto de um aparente e incipiente ciclo de depreciação do dólar.
Uma moeda subavaliada e juros reais elevados tornam o Brasil uma oportunidade evidente de investimento, independentemente de quem ocupe a residência presidencial em Brasília."
— Gavekal Research
Esse tipo de interpretação também serve de motor para o trabalho que desenvolvo no MyVOL: olhar além do evento imediato e identificar as forças estruturais, os fluxos e o posicionamento dos agentes.
A eleição certamente será impactante para o Ibovespa no curto prazo. Entretanto, meu otimismo com a renda variável brasileira não depende exclusivamente de seu resultado.
Ele está amparado em sete argumentos:
Bases acionárias comprimidas.
Relação M2/M1 superior a 12 vezes — muita energia potencial ainda represada.
P/L projetado para 2027 inferior a 8 vezes.
"Turquenização" e indexação — uma preferência global crescente por ativos reais de empresas grandes, líquidas e líderes em seus mercados.
Baixa dependência externa.
Possibilidade de o Brasil recuperar aproximadamente dois pontos percentuais no MSCI Emerging Markets — participação que poderá ser redistribuída a partir de mercados como Índia, Coreia do Sul e Taiwan.
Volatilidade do Ibovespa estruturalmente inferior ao VIX — ainda que isso não esteja ocorrendo neste exato momento.
A política pode determinar a velocidade e a intensidade do movimento. Mas a oportunidade brasileira não nasceu nesta eleição — e tampouco se encerra nela.
É justamente essa distinção entre o evento e a estrutura que buscamos explorar no MyVOL.
Marink
