PETR4 e VALE3 - cadê a tão aguardada volatilidade?

19/07/2018

Além da forte valorização do índice Bovespa registrada nos últimos cinco dias, tivemos também um expressivo declínio na volatilidade implícita das opções de Vale e Petrobras.

Tal declínio vem ocorrendo em sintonia com a queda da volatilidade do principal índice norte-americano, o S&P 500. Por lá, o VIX já está novamente abaixo de 12%, surpreendendo boa parte dos comentaristas de mercado que esperavam que o "termômetro do medo" permanecesse em patamares mais elevados, condizentes com o risco presente nos mercados.

Por aqui, para os acionistas da Vale, a boa notícia é a completa apatia demonstrada pelos participantes do mercado de opções. O número de titulares e lançadores está baixíssimo em termos relativos. E por que isso seria positivo? Isso é positivo pela tese de que um mercado de opções pujante acaba contendo o ímpeto de valorização do ativo subjacente. Novamente, isso é só uma tese!

Apesar desta peculiaridade associada as opções de Vale, acredito que as perspectivas para as ações de Vale não sejam tão boas diante do iminente desaquecimento da economia chinesa. Eventualmente, tal situação contribuirá para fazer com que o preço das ações da gigante de mineração não vá muito longe.

Já no caso das ações da Petrobras, é notório e surpreendente o declínio da volatilidade implícita de suas opções da série H (série vigente). Estamos a menos de três meses da eleição e muitos especulam que os mercados ficarão extremamente nervosos; em particular, no que diz respeito a empresas associadas ao governo, como a Petrobras, a Eletrobras e o Banco do Brasil.

Na eleição presidencial de 2014, vivemos um mercado extremamente volátil, com um número exorbitante de participantes no mercado de opções destes ativos.

Ainda há tempo para que as circunstâncias descritas aqui se modifiquem de forma substancial. Há pouco tempo, comentei por aqui que a Empiricus Research recomendou a compra de contratos de opções de compra (CALL) e de venda (PUT) com vencimento em novembro deste ano. Tal recomendação levou um grande número de participantes para este mercado. Todos apostando na mesma direção.

Sendo assim, não podemos deixar de observar a complexidade inerente dos mercados na qual as partes afetam o todo, e vice-versa.

Em outras palavras, quando um elevado número de participantes do mercado antecipa um determinado evento, a probabilidade de ocorrência deste decresce proporcionalmente.

Marink Martins


Para grande parte da comunidade investidora brasileira, todas as mazelas que afligem a nossa bolsa são oriundas de incertezas fiscais. Ainda que não haja dúvida a respeito de nossa fragilidade fiscal, há outros fatores globais que vem contribuindo para um certo desdém em relação aos ativos brasileiros.

A expressão "The Winner Takes It All" (O Vencedor Leva Tudo!) é velha. Foi título de um dos maiores sucessos da banda sueca ABBA em seu álbum de 1980. Já no mercado de ações foi ganhando tração na medida em que foram surgindo "platform companies" como America Online (anos 90), Yahoo, Amazon Web Services, Google, Facebook, LinkedIn (Microsoft),...

Administrar um ciclo de queda nos preços das ações nunca é fácil. Agora, fazer isso durante um período em que boa parte do mundo vive um período de festa é bem mais difícil. Nos últimos dias, enquanto o índice S&P 500 registrou uma série de recordes de alta, por aqui registramos uma tremenda agonia.

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