Riscos relacionados à mudança de horário na B3

08/11/2018

A mudança de horário do pregão na B3 além de tornar o dia mais cansativo traz consigo um maior risco ao mercado. Eu explico melhor a seguir:

Todo o ano, a partir do início de novembro, devido ao início do horário de verão no Brasil e o fim do mesmo nos EUA, a diferença de fuso horário entre Brasília e Nova York faz com que o pregão brasileiro se inicie três horas mais cedo e termine uma hora mais cedo do que o pregão nova iorquino.

Com isso, na prática, temos um longo período entre as 9:00 da manhã - horário em que os futuros começam a negociar - e 12:30 - horário local para abertura da NYSE - em que os mercados oscilam com baixa liquidez devido ausência de importantes participantes dedicados a operações de arbitragens entre ativos negociados no Brasil e no exterior. 

Ontem, por exemplo, foi um dia clássico. As ações da Petrobras PN abriram em alta no pregão de ontem e, logo após a abertura do pregão em Nova York, tomaram um belo tombo. O assinante MyVOL que vem acompanhando a nossa cobertura do papel, já sabia de nosso viés negativo e provavelmente tirou proveito deste movimento.

Entretanto, mais preocupante do que o diferencial de 3 horas na abertura é a defasagem de uma hora no fechamento do pregão. 

Em época onde o noticiário de Brasília se torna relevante, esta hora adicional acaba gerando uma vantagem competitiva aos grandes "players" globais que muitas vezes promovem movimentos de preços expressivos exatamente naquela última hora de pregão.

Sendo assim, durante este período que vai de novembro a fevereiro, cresce a probabilidade de maiores "gaps" na abertura, o que pode até ser positivo caso você esteja trabalhando com "daytrades".

Da minha parte, com uma estratégia voltada para operações não-direcionais, buscando obter um rendimento por volta de 3% ao mês através das minhas operações estruturadas, este período é definitivamente um pouco mais estressante. 

Por isso, todo cuidado é pouco. A melhor forma de driblar este maior risco é ter uma conta nos EUA e unir-se aos "players" globais. 

Na ausência desta hipótese, o melhor é seguir uma postura mais cautelosa, ciente dos riscos inerentes ao calendário.

Marink Martins  

www.myvol.com.br