Sempre Volta!

26/03/2021

Nos últimos dias estamos testemunhando um sobe e desce danado nos mercados. Aquele que está acertando o "timing" está de peito estufado, confiante. Já a contraparte é pura frustração. Bom também está para aquele que vendeu volatilidade e ganhou dinheiro com o declínio dos prêmios das opções.

A possibilidade de ficar parado e ganhar dinheiro com a passagem do tempo é uma que julgo ser fascinante. Em 2017, gravei um audiobook chamado Relatos de Mercado em que o primeiro relato é justamente a história de um trader que deixava suas operações correr para níveis perigosos e que, no dia-a-dia dos mercados vociferava com um tom de revanchismo: SEMPRE VOLTA!!!


Para ouvir o relato SEMPRE VOLTA, contido no audiobook Relatos de Mercado, clique abaixo:


Pois é, assim como existe amor e ódio, fla x flu, vida e morte, existe nos mercados tendências e consolidações. Dizer em que ciclo estamos é sempre fácil a posteriori. Matematicamente, o presente, marcado pelo instante, é sempre um ponto de inflexão em potencial.

Neste primeiro trimestre não faltaram pontos de inflexão provocados por noticiários associados à política. Foram inúmeras as situações em que, do nada, o IBOV caiu ou subiu mais de 1.000 pontos com base em um simples comentário vindo de Brasília.

Assim, julgo que não seria absurdo afirmar que classificar o ciclo do mercado é um esforço infrutífero. Ou talvez, a própria discussão deste tema seja um sintoma de que estamos, de fato, em consolidação.

Bem, se não perdi sua atenção com este raciocínio inconclusivo, vamos agora a alguns fatos:

O fato é que a despeito de fortes recuos visto em algumas classes de ativos (ativos chineses, EEM, Nasdaq), o índice S&P 500 permanece na estabilidade através de fortes movimentos de rotação setorial. Uma das razões para toda esta calmaria talvez seja devido ao fato de que o FED em fevereiro e março andou comprando uma quantidade de ativos (treasuries e MBS) superior ao combinado. O FED comprou 180 bilhões de dólares em fevereiro e, em março, já comprou 130 bilhões; superando em larga escala a meta de comprar 120 bilhões de dólares por mês.

Imaginava-se (e muitos ainda imaginam) que os últimos dias de março seriam tensos devido ao processo de rebalanceamento de carteiras. A dúvida que fica é se este excesso de estímulo impetrado pelo FED é temporário ou se veio para ficar. Sabe-se que os agentes de mercados ficam rapidamente mal-acostumados... O FED que já estava preso em uma espécie de Hotel California dos juros baixíssimos, pode estar trazendo para si um outro tipo de aprisionamento: o de manter as expectativas dos agentes nas alturas...

Um bom fim de semana a todos,

Marink Martins

www.myvol.com.br