Um outro fator que deixa muitos atuantes do setor ainda perplexos é o fato de que, mesmo após a recente valorização do preço do barril, os preços das ações de empresas ligadas ao setor de serviços continuam nos mesmos níveis daqueles registrados em 2016. Aqui estou falando de empresas como Schlumberger e Haliburton; empresas que no passado saíam na frente em situações de retomada econômica no setor petrolífero.
Um argumento para esta discrepância parece estar relacionado a expectativa de uma menor demanda futura por petróleo devido ao surgimento de carros elétricos. Há também a expectativa de que a produção de petróleo norte-americana oriunda da revolução do "shale oil and gas" deva continuar a todo vapor.
Contudo, há quem veja neste cenário uma ótima oportunidade para as empresas concentradas no setor de exploração e produção (E&P) de petróleo, como é o caso da Petrobras e de outras grandes petrolíferas.
Os últimos anos foram um tanto desafiadores para o setor, e com isso, o custo de capital para pequenos exploradores subiu. Assim há quem afirme que a capacidade produtora da indústria de "shale" dos EUA está diante de enormes desafios logísticos devido a vasta fragmentação deste segmento nos últimos anos.
Além disso, há estudos que apontam que durante os períodos em que a curva de petróleo se encontra invertida (em "backwardation") há uma significativa expansão das margens de lucro das empresas de E&P.
De certa forma, o resultado do segundo trimestre divulgado pela Petrobras já aponta nesta direção. O raciocínio aqui parece ser um que é contraintuitivo: quanto menos favorável parecer o futuro (curva de preços), menor tende a ser a concorrência (maior custo de capital) e os custos de produção ("lifting costs"). Tudo isso tende a se revelar através de maiores margens de lucro para os sobreviventes. E quem serão estes? As "Exxons" e as estatais do setor!
Marink Martins