Você sabe o que é "Mad Money"?

16/02/2018

Engana-se quem pensa que "Mad Money" é somente um nome impactante para um dos programas de maior audiência do mundo financeiro. Capitaneado pelo barulhento e experiente Jim Cramer, o programa que vai ao ar diariamente pelo canal CNBC às 18:00 (horário de NY), é um raro espaço para aconselhamento financeiro de alta qualidade. Digo isso com segurança, pois já acompanho tal programa há mais de 10 anos. Críticos irão dizer que Jim Cramer mandou comprar ações do banco Bear Stearns dias antes de sua derrocada, ações da Petrobras na máxima, e muitas outras indicações que se tornaram um fiasco. Tudo verdade! Vá você recomendar diariamente ações ao longo de 20 anos, e em questão de tempo, terá também alguns fiascos para chamar de seu. É questão de estatística! Mas, falando sobre a essência da expressão e do programa "Mad Money", esta se refere a capital de risco. Se refere a um percentual de seu patrimônio que deve ser alocado a uma carteira de ações, na esperança que dentro dela, haja uma ou algumas que se tornem um "TENBAGGER" (algo que se aprecie por 10x seu preço inicial). Quando isso ocorre, mesmo que todas as outras ações de sua carteira sejam "micos", tais perdas serão diluídas em meio ao sucesso das estrelas da carteira. Naturalmente, isso não é uma tarefa fácil. Mas é por isso que o programa muitas vezes fala sobre empresas ligadas a tecnologia, biotecnologia, e outros com forte potencial de valorização. Entretanto, aqueles que acompanham o "show" com frequência, reconhecerão que Cramer é um grande fã de fundos de índice de baixo custo como SPY, atrelado ao índice S&P 500. Cramer filosoficamente parece-se muito com Ed Thorp. Uma grande diferença é que o âncora do "Mad Money" fala para as massas, e por isso, tende a simplificar ao máximo, adotando um maior conservadorismo com grande parte de seu capital. Há tempos, Cramer fala uma frase que considero de grande relevância: "The Stock Market is the only game in town!" Entendo tal expressão como a bolsa de valores sendo a única alternativa para aqueles que pensam em crescimento patrimonial quando o assunto é onde alocar o seu dinheiro ganho com tanto esforço. Esta parece ser a realidade americana há anos. E nós brasileiros, com um governo que claramente vem sinalizando uma "monetização" de sua dívida ao tolerar deficits expressivos, como o recém anunciado, caminhamos na mesma direção. Foi-se o tempo em que tínhamos o poder de atrair capitais através de juros mais elevados. Na próxima crise, quando o "gringo" resolver tirar seu capital do país, grande parte do movimento será absorvido por um câmbio mais fraco. Em questão de alguns anos, entraremos na assombrosa dominância fiscal, e o Ibovespa, apesar de parecer um pouco caro, e envolver riscos no curto prazo, apresenta-se como uma ótima alternativa em meio ao caos fiscal, uma vez que consideramos um horizonte de investimentos mais longo.

Marink Martins