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Há tempos mencionei aqui um trabalho de Louis-Vincent Gave,
fundador da Gavekal, no qual ele apontava o preço do dólar americano, a taxa de
juros dos títulos de 10 anos dos EUA e o preço do petróleo como os 3 principais
preços na economia global.

E não é que, de repente, os preços acima começaram a se mover
de uma forma um tanto perturbadora aos mercados emergentes!
"The writing is on the wall" é uma expressão norte-americana bem conhecida que denota que algo está para acontecer ou que está pré-determinado a acontecer.
Bem, nas últimas semanas testemunhamos um dólar mais forte em conjunto com taxas de juros e preço do petróleo ascendentes.
As bolsas nas principais economias globais até que se seguraram muito bem. Mas a história nos mercados emergentes é outra.
Agentes do mercado encaram os movimentos descritos acima como um grande freio ao crescimento destes mercados.
Em particular, vale ressaltar um recente trabalho feito por Charles Gave que mostra uma correlação curiosa entre a variação no total de ativos no FED e variação no preço do petróleo.

O gráfico acima nos mostra que, ao medirmos a variação desta relação, de forma anualizada a cada dois anos, notamos que sempre que tal relação registrou um movimento negativo superior a 25%, os mercados ficaram voláteis e, em seguida, a economia norte-americana entrou em recessão.
Como podemos ver pelo gráfico, este longo ciclo de crescimento pelo qual passa os EUA talvez não fosse tão longo caso não houvessem estímulos quantitativos (QE) como aquele que ocorreu em 2012/2013.
E para frente, como será? Será que a alta no petróleo irá desencadear uma desestabilização global?
Infelizmente, não temos certeza de nada nestes mercados. Mas, especula-se que o recente movimento de apreciação no petróleo já é grande o suficiente para anular metade do estímulo econômico gerado pelos cortes de impostos de Trump.
Por tudo isso, investidores devem estar atentos ao fato de que, embora uma alta no preço do petróleo possa ser benéfica as ações da Petrobras,
ela tende a ser extremamente disruptiva aos investimentos em mercados
emergentes.
Marink Martins
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Nos EUA, a ideia de que ações são um porto seguro no longo prazo está profundamente enraizada — quase institucionalizada. A bolsa não é apenas um mercado; é parte do contrato social. Planos de aposentadoria, poupança das famílias, confiança do consumidor — tudo orbita o desempenho do S&P 500.
Existem ebb & flows silenciosos.