Petrobras – Os impactos da mais recente recomendação de Felipe Miranda

21/06/2018

Stella é faixa branca no mercado!

Nada como um começo! Lembro-me bem da primeira vez que fiz uma operação em bolsa. Era uma operação de arbitragem onde comprei 5.000 ADRs de Cemig e "quase que simultaneamente" vendi 5.000 ações da mesma empresa na Bovespa. Na hora em que a tela da corretora GFI começou a piscar, indicando a execução da compra, tremi na base de tão nervoso que fiquei. A operação deu alguns centavos de lucro, mas a emoção daquele momento ficou registrada de forma definitiva.

E não é que ontem, as 11:00 da manhã, ocorreu um episódio que me fez lembrar daquele momento de início de carreira.

Pois naquela hora, estava marcado para ser divulgado através da publicação Palavra do Estrategista uma recomendação de compra de opções de Petrobras. O anúncio havia sido feito pelo autor, Felipe Miranda, de forma a dar a seus assinantes, condições igualitárias de acesso ao mercado.

Stella Manes, Equipe MyVOL
Stella Manes, Equipe MyVOL

E aqui no meu escritório, onde atuo como trader e autor do site MyVOL, eu e a minha assistente, Stella Manes, aguardávamos ansiosos pelo momento.

Na verdade, Stella era quem realmente contava os minutos. Pós-graduada em biologia, ela decidiu dar uma chance a uma carreira em marketing digital que vem com o bônus (ou ônus) de aprender tudo sobre o mercado de opções.

Sua ajuda na formatação dos encontros diários com os assinantes do meu projeto O Clube dos 5 tem sido fundamental para que entreguemos um conteúdo de qualidade ao seleto grupo que nos acompanha nesta jornada.

Coincidentemente, justo na semana em que ela iniciou em seu novo desafio profissional, eu fui surpreendido por uma outra recomendação feita no Palavra do Estrategista. Falo daquela da qual escrevi um comentário chamado "O curioso caso da opção PETRE56 - nasceu velha e hoje é uma criança".

Na ocasião, ao saber da recomendação e detectar que o elevado número de comprados em tal contrato consistia de pessoas físicas, não hesitei e atuei na ponta contrária da recomendação. Por circunstancias de mercado, obtive um bom lucro relativamente rápido, o que deixou a Stella um tanto fascinada com este mercado.

Desde então, uma de suas tarefas diárias é ficar sintonizada em tudo que é publicado na dita newsletter e me falar rapidamente de todas as recomendações divulgadas.

Sendo assim, ontem, ao ler o comentário divulgado as 11:00 recomendando a compra de um "CALL" e de uma "PUT" de Petrobras com "STRIKES" de R$20,96 e R$12,96, respectivamente, Stella olhou para mim com uma cara de espanto, como se dissesse: E agora, o que vamos fazer?

Naquele vencimento de maio, no caso da PETRE56, o que mais impressionou a Stella foi o fato da recomendação de compra ter se provado extremamente rentável. Os comprados adquiriram seus contratos pagando, em média 43c, virão o preço das opções cair para 5c, e aguentaram firmes na compra. Circunstâncias favoráveis ao preço das ações da Petrobras, entretanto, fizeram com que tais contratos disparassem nas semanas finais de seu ciclo de vida e chegassem a negociar a R$1,20. Toda esta movimentação para quem é faixa branca no mercado é, no mínimo, excitante!

Por tudo isso, ontem Stella queria porque queria entender o racional da recomendação e saber o que eu iria fazer com tal informação.

Primeiramente, eu disse: vamos observar e estudar a dinâmica de negociação. Vamos procurar saber se há uma concentração no perfil daqueles que compraram e daqueles que venderam os contratos em questão. Vamos estudar para saber qual é a volatilidade implícita associada a tal recomendação para sabermos se está mais elevada, ou não, do que a praticada nos dias de hoje. Em suma, vamos estudar e não vamos fazer nada neste exato momento.

Mesmo assim, o assunto se alongou pelas horas que antecediam o nosso compromisso diário com os assinantes da Inversa Publicações as 15:00.

Expliquei a Stella que a recomendação se tratava de uma operação que, em inglês, é conhecida como "long strangle". Nesta, o investidor compra um CALL e uma PUT no mesmo ativo com "strikes" diferentes, porém, com mesmo prazo para vencimento. Quem faz este tipo de operação está comprando volatilidade; isto é, está apostando que, entre a data de compra e o vencimento dos contratos, o preço das ações da Petrobras irá oscilar bastante, de forma a mais do que compensar os prêmios pagos pelos dois contratos adquiridos.

Em um primeiro momento, parece que falei grego para ela. Foi aí que entrei no Sistema Clube dos 5, uma planilha de excel que eu desenvolvi que, de forma simples, simula ganhos e perdas para qualquer operação. Através da planilha traçamos diversos cenários possíveis e avaliamos seus impactos no resultado final da operação.

Com o tempo, ficou claro para a Stella que trata-se de uma operação que se beneficia do caos. Seja ele de uma forte valorização no preço da ação ou de uma forte queda no preço da mesma.

Já cansada de ouvir sobre as incertezas globais e domésticas que eu tanto discuto em meus encontros, ela não hesitou em dizer que a operação era ótima, sensacional!

Aí, eu disse: Ok, mas você sabe qual é o preço que você está pagando por esta compra de volatilidade? No que ela respondeu: R$1,20, que era o preço de mercado da opção de compra naquele momento. Eu disse: não! Você deve somar o custo da CALL com o da PUT; esse é o preço deste "strangle". Entretanto, mais importante do que o preço nominal, é saber a volatilidade implícita (VOL) embutida nestes contratos e o prazo para o vencimento.

Voltamos para o Sistema CD5 e calculamos que cada contrato da operação embutia um VOL de aproximadamente 62%.

Neste momento, tive que explicar que tal número era anualizado. Trazido para o dia a dia, tal VOL implica em uma expectativa de oscilação diária por volta de 4% para o preço das ações da Petrobras. Um nível de oscilação que pode parecer baixo frente ao ocorrido recentemente com as ações da Petrobras, mas que de fato, não é tão baixo assim. Mas, em se tratando de um período pré-eleitoral, até que a recomendação representa um ponto de entrada interessante.

Bem, a conversa teve que ser interrompida pois havia chegada a hora da nossa "live" no Clube dos 5.

De qualquer forma, conforme observávamos as negociações e detectávamos semelhanças entre o que observávamos no dia e o ocorrido no curioso caso da PETRE56, eu disse a ela: estou feliz com esta recomendação feita pelo Felipe Miranda, pois, de certa forma, ela contribui para que a volatilidade implícita de todos os contratos de opções de Petrobras mantenha-se contida.

Mas, como assim? - Indagou ela!

E aí, fui lá buscar aquelas analogias na mecânica quântica que eu tanto adoro.

Se na física quântica a presença de um observador afeta o comportamento do que é observado, nos mercados ocorre algo similar. Por lá, não é um observador, mas sim um participante, que com suas atitudes também afeta o comportamento a posteriori do que é observado.

Visto que a recomendação em questão é oriunda da Empiricus, imaginem o efeito da atitude de milhares de participantes!

Marink Martins   

A mídia financeira não para de fazer alarde no que diz respeito à falta de apetite dos investidores estrangeiros. Foi publicado ontem no Valor Econômico:

A imagem abaixo busca classificar os detentores de ações emitidas por empresas americanas entre as seguintes modalidades: famílias (Households), fundos passivos, fundos indexados (ETFs), fundos ativos, fundos de pensão, investidores estrangeiros, "hedge funds", empresas, e outros. A imagem é um tanto polêmica, pois apresenta o valor de mercado do...

Caindo na real

05/04/2024

Não demorou muito para o "governo brasileiro" cair na real e se conscientizar de que é ele quem mais precisa dos dividendos extraordinários da Petrobras. Daí a decisão de seguir em frente com os pagamentos originalmente anunciados.

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